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Confusões do acesso no futebol paranaense

Assim como em outros estados, a história do acesso no Paraná é confusa devido à sua convivência – às vezes simultânea – com torneios paralelos como: torneios seletivos, módulos inferiores e torneios da morte. Vejamos as diferenças entre essas competições e uma autêntica segunda divisão.

1) Torneios seletivos para a primeira divisão

Salvo algumas situações hoje aberrantes (como no campeonato paulista do início dos anos 70), em geral, o trânsito de times entre as divisões se dá pelo acesso e pelo descenso. Ou seja, a segunda divisão classifica times para a primeira.

No entanto, a segunda divisão típica é disputada em um ano para dar acesso à primeira divisão do ano seguinte. Ao contrário dos torneios seletivos, disputados no mesmo ano da primeira divisão, antes de ela começar.

Não se confundem com uma fase classificatória do campeonato. Porque nela participam todos os times da primeira divisão, enquanto no torneio seletivo participam times que, a princípio, não tinham garantido direito de disputar a primeira divisão. Em São Paulo, exemplos de fase classificatória foram os Torneios de Classificação dos anos 50, enquanto exemplos de torneio seletivo foram os Paulistinhas dos anos 70.

Não é possível considerá-los um módulo inferior porque são anteriores ao próprio campeonato, enquanto os módulos inferiores são disputados durante a primeira ou a segunda fase dele.

2) Módulos inferiores da primeira fase

Muitas vezes, as federações organizam a primeira divisão com uma segunda embutida. Em vez de “grupos”, que apresentam equilíbrio técnico entre si e oferecem um mesmo número de vagas para a fase seguinte e para o rebaixamento, a primeira fase do campeonato é dividida em “módulos” com desnível técnico entre si, sendo que o módulo inferior oferece menos vagas para a segunda fase e mais para o rebaixamento. O campeonato brasileiro teve edições assim nos anos 80 e 90.

A diferença para a segunda divisão é que, nesta, o trânsito de times entre as divisões se dá de um ano para o outro, enquanto os módulos fazem esse intercâmbio numa mesma edição do campeonato. Como se eles promovessem um “acesso” ou “descenso” no mesmo ano.

3) Módulos inferiores da segunda fase

Um bom pretexto para deixar ocupados os times que não passaram para a segunda fase de uma competição é organizar entre eles um “torneio da morte” para definir os rebaixados. Ele se comporta como um módulo inferior, só que formado na segunda fase do campeonato. Até agora, desconheço quem tenha tentado compará-lo a uma segunda divisão.

Outro módulo inferior de segunda fase é a chamada “repescagem” entre os não classificados da primeira fase. Em vez de definir os rebaixados, oferece vagas para a sequência do campeonato. Portanto, sem chance de se confundir com uma segunda divisão, que oferece vagas para o ano seguinte.

Os “torneios de consolação” também se destinam a deixar ocupados os times que não passaram para a fase seguinte de uma competição – p.ex., os recentes torneios para definição do “campeão do interior”, tanto em São Paulo quanto no Paraná. Nessa medida, se comportam como módulos inferiores de segunda fase. A diferença é que, em vez de incentivar os participantes com a ameaça do rebaixamento (como os “torneios da morte”) ou com a oferta de vagas extra para a sequência do campeonato (como as “repescagens”), o fomento à participação é mediante premiação própria – por isso, são apresentados como torneios autônomos.

4) Sucessão de módulos inferiores

Um fenômeno curioso que ocorre em algumas competições é a sucessão de módulos inferiores: a um de primeira fase sucede-se outro de segunda fase.

Foi o que aconteceu nas Taças de Prata do campeonato brasileiro, nos anos 80. Na primeira fase, ela se comportava como um “módulo inferior de primeira fase”: classificava os melhores times para a segunda fase da Taça de Ouro (módulo superior). Na segunda fase, ela se comportava como um “torneio de consolação” (módulo inferior de segunda fase) entre os que não se classificaram para a segunda fase da Taça de Ouro (e, em alguns anos, com desclassificados da primeira fase da Taça de Ouro), que disputavam o título da Taça de Prata (que, em alguns anos, garantia vaga na Taça de Ouro do ano seguinte).

Ou seja, a rigor, os times que se classificaram para a segunda fase da Taça de Ouro eram tecnicamente melhores do que os que prosseguiram na competição pela Taça de Prata (torneio de consolação). Apesar disso, nesses anos, era considerado campeão brasileiro da segunda divisão o time que conquistava o módulo inferior da segunda fase (Taça de Prata).

Como veremos mais adiante, em 1995 e 1997, o campeonato paranaense contou com outra sucessão de módulos inferiores: a um módulo de primeira fase sucedeu um “torneio da morte”. Que time deveria ser considerado campeão do módulo inferior? O da primeira ou o da segunda fase? Difícil responder. Os precedentes da Taça de Prata sugerem que seria o da segunda fase, mas ela mesma tem o defeito de não premiar os melhores times do módulo inferior, como explicamos acima.

* * *

Vejamos agora como essas diferentes formas de organização da competição se apresentaram ao longo dos anos no campeonato paranaense – e como isso tem potencial para gerar controvérsia (e incoerência) na identificação dos campeões da segunda e da terceira divisão.

Em 1917, com a fusão da LSP e da Associação Paranaense de Sports Athléticos na Associação Sportiva Paranaense (ASP), nove clubes se inscreveram para uma primeira divisão que só tinha sete vagas. Três times disputaram a sétima vaga um “torneio relâmpago”, vencido pelo Savóia. Não é considerado a segunda divisão (vencida pelo Água Verde), mas um torneio seletivo da primeira.

Durante as décadas de 20 a 60, quando não havia uma segunda divisão, o ingresso de novos times no estadual se dava por mera inscrição de equipes do interior ou do campeonato amador da capital.

Depois de muitos anos com campeonatos separados para capital e interior, em 1966 a Federação Paranaense de Futebol (FPF) unificou o estadual e adotou a Lei do Acesso. Como três clubes terminaram empatados na quinta colocação do campeonato da Zona Sul de 1965, participaram de um “torneio da morte” para definir qual seria o sétimo rebaixado para a segunda divisão de 1966. Seleto e Primavera conquistaram a quinta e a sexta vagas, respectivamente. Mas esse triangular não é considerado a segunda divisão (vencida pelo Jandaia).

Em 1967, o Atlético Paranaense havia terminado na lanterna e seria rebaixado. Numa virada de mesa, a FPF o manteve na primeira divisão para 1968, promoveu o campeão da segunda divisão de 1967 (Paranavaí) e organizou, em fevereiro de 1968, um “torneio esperança” entre quatro integrantes da segunda divisão mais outros dois clubes, para decidir a décima quarta vaga na primeira divisão de 1968 – que ficou com o Britânia (Guarani chegou em segundo). Não é considerado a segunda divisão (vencida pelo Paranavaí), mas um torneio seletivo da primeira.

Em 1971, a segunda divisão foi incorporada à primeira.

Em janeiro de 1976 (e não em 1975, como apresentam algumas listas), um “torneio de acesso” foi disputado entre três clubes para uma vaga na primeira divisão do mesmo ano – conquistada pelo EC 9 de Julho, de Cornélio Procópio (Arapongas em segundo). Trata-se de um torneio triangular seletivo que não se confunde com a segunda divisão de 1976, disputada por dezessete times (inclusive os dois não classificados no triangular, Arapongas e Marumbi) a partir de junho, valendo vagas para a primeira divisão de 1977 – conquistadas por Centenário e Matsubara.

Em 1977, dos dezesseis times da primeira divisão, os oito melhores se classificaram para um octogonal enquanto os outros oito disputaram uma “repescagem” cujo campeão, Grêmio Maringá (Rio Branco vice), se classificou para o quadrangular final. Não é possível considerar uma segunda divisão efêmera, até porque a verdadeira existiu e foi vencida pelo Apucarana.

Em 1979, dos dezoito times da primeira divisão, os oito primeiros se classificaram para a segunda fase. Os demais disputaram um “torneio da morte” – vencido pelo Apucarana. Não se confunde com a segunda divisão, vencida pelo União.

Em 1980, não existiu uma segunda divisão, mas um “torneio da morte” (vencido pelo Atlético) entre os doze não classificados para o octogonal da segunda fase da primeira divisão. Coerentemente, não pode ser considerado a segunda divisão desse ano.

A primeira divisão de 1983 contou com doze times que jogaram entre si em dois turnos. Ao final de cada turno, os quatro primeiros disputaram um quadrangular enquanto os oito seguintes disputaram uma repescagem que valia uma vaga na terceira fase. Essa repescagem teve o União Bandeirante campeão e Pinheiros vice. Mas, como dissemos, não existe segunda divisão efêmera, de modo que o campeão da segunda divisão é o Paranavaí.

Em 1989, dos vinte e dois times da segunda divisão, os doze melhores da primeira fase se classificaram para quatro triangulares que garantiam oito vagas na terceira fase, enquanto os quatro seguintes disputaram uma “chave extra” que só dava uma vaga para a terceira fase – portanto, uma autêntica repescagem, vencida pelo Batel, Cruzeiro vice. Pelos motivos que já expomos, a repescagem não pode ser considerada uma divisão inferior, no caso uma terceira efêmera – e inexistente nesse ano.

Na primeira divisão de 1991, dois times só entraram na segunda fase e outros quatro na terceira – por estarem participando do campeonato brasileiro (primeira e segunda divisões). Mesmo assim, a primeira fase não pode ser considerada um “torneio seletivo” porque não eliminou nem um time, todos participaram da segunda fase. A diferença é que os três melhores da primeira fase se classificaram para um grupo com dois pré-classificados do brasileiro (grupo esse já pré-classificado para a terceira fase), enquanto os quatorze restantes (porque houve uma desistência) disputaram um módulo inferior de segunda fase que se comportou como um misto de repescagem com “torneio da morte”, pois classificou cinco times para a terceira fase e rebaixou os demais para a segunda divisão do mesmo ano. Depois, os dois piores da terceira fase foram rebaixados para a segunda divisão do ano seguinte. Se esse módulo inferior da segunda fase fosse considerado uma segunda divisão, seus campeões seriam Matsubara e Foz do Iguaçu (sem definição de um campeão entre eles), enquanto o Iguaçu seria campeão da terceira.

De fevereiro a maio de 1992, foi disputada uma “divisão intermediária”, vencida pelo União Bandeirante, que classificou seis times para a primeira divisão do mesmo ano. Como nos casos dos anos anteriores, não pode ser considerada uma segunda divisão, mas um torneio seletivo da primeira. E na primeira divisão, em outubro e novembro, os quatro últimos da primeira fase disputaram um “torneio da morte”, que definiu o rebaixamento para a segunda divisão de 1993 e teve Foz do Iguaçu e Batel nos dois primeiros lugares. A segunda divisão, vencida pelo Paranavaí, foi disputada de agosto a dezembro, valendo vaga para a primeira divisão de 1993.

Na primeira divisão de 1993, dos vinte times da primeira fase, os oito melhores classificados seguiram na disputa pelo título enquanto aos doze piores foi reservado um “torneio da morte” (vencido pelo Apucarana, Grêmio Maringá vice) que definiu o rebaixamento para a segunda divisão de 1994. Não se confunde com a segunda divisão, vencida pelo Irati.

Em 1994, ambos os módulos tinham dez times, sendo que para a segunda fase o superior classificava seis enquanto o inferior, dois (Irati e Batel). Quanto ao descenso para 1995, os dois piores do superior disputariam o inferior e os dois piores do inferior seriam rebaixados para a segunda divisão. Quanto ao acesso para 1995, os dois melhores do módulo inferior (Irati e Batel) disputariam o superior e os dois melhores da segunda divisão (Jandaia e Ponta Grossa) subiriam para o módulo inferior. Ou seja, se o módulo inferior fosse considerado uma segunda divisão, Irati e Batel seriam campeão e vice; enquanto Jandaia e Ponta Grossa, campeão e vice da segunda divisão, seriam da terceira.

Em 1995, ambos os módulos tinham dez times, sendo que para a segunda fase o superior classificava seis enquanto o inferior, dois (Rio Branco e Toledo). Os não classificados de ambos os módulos disputaram um “torneio da morte” que, para 1996, classificou dois para o módulo superior (Francisco Beltrão e União Bandeirante) e rebaixou dois para a segunda divisão; os outros oito disputariam o módulo inferior. Quanto ao acesso para 1996, os dois melhores do módulo inferior (Rio Branco e Toledo) e, como dissemos, os dois melhores do “torneio da morte” (Francisco Beltrão e União Bandeirante) disputariam o superior, enquanto os dois melhores da segunda divisão (Maringá FC e Arapongas) disputariam o módulo inferior.

Ou seja, como já antecipamos na parte introdutória deste trabalho, em 1995, houve uma sucessão de módulos inferiores: o de primeira fase foi sucedido por um de segunda fase (“torneio da morte”). Se o módulo inferior da primeira fase fosse considerado uma segunda divisão, Rio Branco e Toledo seriam campeão e vice, mas se o “torneio da morte” fosse considerado uma segunda divisão, Francisco Beltrão e União Bandeirante seriam campeão e vice. Seja como for, o campeão e o vice da segunda divisão (Maringá FC e Arapongas) seriam considerados da terceira.

Em 1996, ambos os módulos tinham dez times, sendo que para a segunda fase o superior classificava nove e o inferior, sete. Quanto ao acesso para 1997, os campeões do primeiro e do segundo turno do módulo inferior (Paranavaí e Maringá FC; não houve um desempate para apurar o “campeão do módulo inferior” mas o Paranavaí teve maior pontuação na soma dos dois turnos) se classificaram para o módulo superior enquanto os dois melhores da segunda divisão (Iguaçu e Platinense) se classificaram para o módulo inferior. Não houve descenso para 1997. Ou seja, se o módulo inferior fosse considerado uma segunda divisão, Paranavaí e Maringá seriam os campeões, enquanto o campeão e vice da segunda divisão (Iguaçu e Platinense) seriam considerados da terceira.

Em 1997, o módulo superior tinha doze times e o inferior, nove. Para a segunda fase, o superior classificava seis times e o inferior, dois (Apucarana e Irati). Os treze não classificados disputaram um “torneio da morte” que definiria sua situação para 1998: os quatro primeiros permaneceriam na primeira divisão, os sete seguintes seriam rebaixados para a segunda e os dois últimos para a terceira.

Ou seja, assim como em 1995, houve uma sucessão em 1997: um módulo inferior de primeira fase foi sucedido por um módulo inferior de segunda fase (“torneio da morte”). Assim, se o módulo inferior da primeira fase fosse considerado uma segunda divisão, Apucarana e Irati seriam campeão e vice, mas se o “torneio da morte” fosse considerado uma segunda divisão, Londrina e Ponta Grossa seriam campeão e vice. Seja como for, o campeão e o vice da segunda divisão (Prudentópolis e Caxias) seriam considerados da terceira.

Em 2002, a primeira divisão foi disputada por oito times do interior, enquanto os quatro de Curitiba e região metropolitana participavam da Copa Sul-Minas e já estavam pré-classificados para o “supercampeonato” que se lhe seguiu. Encerrado o estadual (campeão estadual Irati, vice Grêmio Maringá), os quatro melhores disputaram com os quatro da capital o “supercampeonato”, vencido pelo Atlético, Paraná Clube vice. Com isso, o que a FPF chama de “campeonato estadual”, a rigor, foi um misto de “campeonato do interior” (tal como os dos anos 60) com “torneio seletivo” para um estadual enxuto que ela chamou de “supercampeonato”. Mas campeonato do interior e torneio seletivo não são uma segunda divisão (vencida pelo Francisco Beltrão).

Quanto a essa segunda divisão de 2002, os três times classificados para o triangular final garantiram o acesso para a primeira divisão de 2003. Antes da última rodada, porém, iniciou-se um outro triangular com o quarto, quinto e sexto colocados, para disputarem uma quarta vaga do acesso para 2003 (conquistada pelo Roma; Matsubara terminou em segundo). Algumas fontes o apresentam como uma repescagem, mas as repescagens normalmente são para fases posteriores de uma mesma competição, não para mais vagas de outra. Torneio seletivo também não é porque foi disputado no ano anterior. Na realidade, equivale a uma disputa pelo quarto lugar no campeonato, assim como, em 2001, Ponta Grossa e Cataratas disputaram o terceiro lugar da segunda divisão, porque valia a terceira vaga do acesso para 2002. Então, a rigor, não chegam a constituir um módulo inferior de segunda fase, tampouco se confundem com a terceira divisão – até porque definiram o acesso para a primeira.

Em 2004, dos dezesseis times da primeira divisão, os doze melhores seguiram para a segunda fase na disputa do título enquanto os outros quatro foram para um “torneio da morte” vencido pelo Paraná Clube, Nacional vice. Não se confunde com a segunda divisão, vencida pelo Engenheiro Beltrão.

Em 2014, dos doze times da primeira divisão, os oito melhores seguiram para a segunda fase na disputa do título enquanto os outros quatro foram para um “torneio da morte” vencido pelo Operário Ferroviário, Arapongas vice. Não se confunde com a segunda divisão, vencida pelo FC Cascavel.

Em 2015, dos doze times da primeira divisão, os oito melhores seguiram para a segunda fase na disputa do título enquanto os outros quatro foram para um “torneio da morte” vencido pelo Atlético, Rio Branco vice. Não se confunde com a segunda divisão, vencida pelo PSTC.

Esse tumultuado histórico pode ser resumido na seguinte tabela:

Ano Torneio Seletivo Módulo Inferior de 1ª fase Repescagem Torneio da Morte Segunda Divisão
1917 Savóia - - - Água Verde
1966 - - - Seleto Jandaia
1968 Britânia - - - Oeste e Cianorte
1976 9 de Julho - - - Centenário
1977 - - Grêmio Maringá - Apucarana
1979 - - - Apucarana União
1980 - - - Atlético -
1983 - - União Bandeirante - Paranavaí
1991 - - Matsubara e Foz do Iguaçu Iguaçu
1992 União Bandeirante - - Foz do Iguaçu Paranavaí
1993 - - - Apucarana Irati
1994 - Irati - - Jandaia
1995 - Rio Branco - Francisco Beltrão Maringá FC
1996 - Paranavaí e Maringá FC - - Iguaçu
1997 - Apucarana - Londrina Prudentópolis
2002 Irati - - - Francisco Beltrão
2004 - - - Paraná Engenheiro Beltrão
2014 - - - Operário FC Cascavel
2015 - - - Atlético PSTC

Concluído esse resumo histórico, agora é possível fazer uma leitura crítica de algumas listas de campeões publicadas por aí.

Algumas apontam o 9 de Julho campeão da segunda divisão de 1975. Só que esse triangular foi um torneio seletivo inteiramente disputado em 1976. Em 1975 não existiu segunda divisão. E a segunda divisão de 1976 foi disputada de junho a dezembro e vencida pelo Centenário.

Certas listas apontam União Bandeirante campeão da “divisão intermediária” e Paranavaí campeão da “segunda divisão”, não como se a segunda fosse a terceira, mas como se fossem duas “segundas divisões” de 1992. Como vimos, porém, a “divisão intermediária” foi um torneio seletivo para a primeira divisão. Se for considerá-la outra “segunda divisão”, por coerência, essas listas também deveriam considerar Savóia, Britânia e 9 de Julho campeões da segunda divisão de 1917, 1968 e 1976, respectivamente.

Por fim, muitas listas apontam Prudentópolis campeão da terceira divisão de 1997, sem identificar qual time teria sido o campeão da segunda. Como não existe terceira sem segunda, essas listas teriam que considerar o primeiro lugar do módulo inferior (Apucarana) ou do “torneio da morte” (Londrina) o campeão da segunda divisão. Por coerência, deveriam adotar o mesmo critério de 1994 a 1996, “rebaixando” os campeões da segunda divisão desses anos (Jandaia, Maringá FC e Iguaçu) para campeões da terceira. Nenhuma faz isso.

Claro que nenhuma discussão haveria se os cartolas não brindassem a história do acesso no Paraná (e de outros estados também) com as fórmulas mais mirabolantes que, no fundo, tinham um só objetivo: disfarçar o verdadeiro status da segunda divisão para agradar seus participantes. Foi assim que, ao longo dos anos, a segunda foi chamada de primeira ou acabou embutida nela, por meio de torneios seletivos ou módulos inferiores. A partir do momento em que colocamos às claras esses expedientes retóricos, resta buscar a coerência na abordagem histórica das divisões.


Pesquisas de Laércio Becker, de Curitiba-PR.
Fontes: Fontes: “História da divisão de acesso no futebol paranaense”, de Julio Bovi Diogo e Levi Mulford Chrestenzen; “Futebol do Paraná: 100 anos de história”, de Heriberto Ivan Machado e Levi Mulford Chrestenzen; “História do futebol paranaense”, de Francisco Genaro Cardoso; Arquivos www.campeoesdofutebol.com.br; RSSSF.
Página adicionada em 15/Setembro/2021.