Sobre a Unificação dos títulos brasileiros
4. Torneios entre principais times
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4.1. Entre principais times – RJ-SP
Em 1933, para comemorar a profissionalização do futebol, paulistas e cariocas criam a Federação Brasileira de Futebol, que, à revelia da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), organiza o primeiro campeonato só entre equipes cariocas e paulistas, mas não restrito aos campeões estaduais, o Torneio Rio – São Paulo de 1933: Palmeiras campeão, São Paulo vice, mais 10 participantes.
A segunda edição ocorreu em 1940, mas o fracasso de público foi tamanho que o torneio foi interrompido ao fim do primeiro turno, sem campeão oficial, quando Flamengo e Fluminense estavam empatados em primeiro lugar (sobre essa edição, ver o nosso artigo “Pelo reconhecimento de títulos cariocas extraoficiais”).
Depois, em 1942, houve um torneio Quinela de Ouro, vencido pelo Corinthians (Flamengo vice), mas não considerado oficialmente um Rio – São Paulo em virtude da participação de apenas cinco clubes (daí o nome “quinela”).
As edições seguintes do Rio – São Paulo só ocorreram a partir de 1950. A partir de 1955, passou a ter o nome de Torneio Roberto Gomes Pedrosa.
Em 1964, nas finais, o Botafogo venceu o Santos na primeira partida, porém a segunda não foi disputada por falta de datas e ambos foram declarados campeões. Em 1965, Portuguesa e São Paulo terminaram empatados em segundo lugar. Em 1966, os clubes tiveram os times tão esvaziados pela cessão de jogadores para a seleção, que começava a treinar para a Copa do Mundo da Inglaterra, que se recusaram a disputar o quadrangular final. Resultado: os quatro melhores colocados foram oficialmente declarados vencedores. Foram os quatro alvinegros daquela edição: Botafogo, Santos, Vasco e Corinthians (aqui, na ordem decrescente de saldo de gols).
A partir de 1967, o passou a contar com times de outros estados, deixando de ser efetivamente um “Rio – São Paulo”. Em 1993, organizou-se uma edição avulsa do Torneio Rio – São Paulo, que voltou a hibernar nos anos seguintes, para ser retomado a partir de 1997. Sua última edição foi em 2002. Ironicamente, o ano em que foi criada a Liga Rio – São Paulo.
Como estamos falando em “principais times”, não consideraremos aqui o Torneio Ricardo Teixeira de 1993 (vencido pelo Mogi-Mirim, Bangu vice), uma espécie de 2ª divisão do Rio – São Paulo.
| ENTRE PRINCIPAIS TIMES – RJ-SP | |||
| Ano | Campeão | Vice | Torneio |
| 1933 | Palmeiras | São Paulo | Rio-São Paulo |
| 1940 | Flamengo e Fluminense | Rio-São Paulo | |
| 1942 | Corinthians | Flamengo | Quinela de Ouro |
| 1950 | Corinthians | Vasco | Rio-São Paulo |
| 1951 | Palmeiras | Corinthians | Rio-São Paulo |
| 1952 | Portugesa | Vasco | Rio-São Paulo |
| 1953 | Corinthians | Vasco | Rio-São Paulo |
| 1954 | Corinthians | Fluminense | Rio-São Paulo |
| 1955 | Portuguesa | Palmeiras | Roberto Gomes Pedrosa |
| 1957 | Fluminense | Vasco | Roberto Gomes Pedrosa |
| 1958 | Vasco | Flamengo | Roberto Gomes Pedrosa |
| 1959 | Santos | Vasco | Roberto Gomes Pedrosa |
| 1960 | Fluminense | Botafogo | Roberto Gomes Pedrosa |
| 1961 | Flamengo | Botafogo | Roberto Gomes Pedrosa |
| 1962 | Botafogo | Palmeiras | Roberto Gomes Pedrosa |
| 1963 | Santos | Corinthians | Roberto Gomes Pedrosa |
| 1964 | Botafogo e Santos | Roberto Gomes Pedrosa | |
| 1965 | Palmeiras | Portuguesa e São Paulo | Roberto Gomes Pedrosa |
| 1966 | Botafogo, Santos, Vasco e Corinthians | Roberto Gomes Pedrosa | |
| 1993 | Palmeiras | Corinthians | Rio-São Paulo |
| 1997 | Santos | Flamengo | Rio-São Paulo |
| 1998 | Botafogo | São Paulo | Rio-São Paulo |
| 1999 | Vasco | Santos | Rio-São Paulo |
| 2000 | Palmeiras | Vasco | Rio-São Paulo |
| 2001 | São Paulo | Botafogo | Rio-São Paulo |
| 2002 | Corinthians | São Paulo | Rio-São Paulo |
| Títulos: 6 – Corinthians; 5 – Palmeiras, Santos; 4 – Botafogo; 3 – Fluminense, Vasco; 2 – Flamengo, Portuguesa; 1 – São Paulo Por estado: 19 - São Paulo; 12 - Rio de Janeiro |
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4.2. Entre principais times – Brasil
Segundo Rubens Ribeiro, a primeira idéia de um campeonato brasileiro foi de Francisco Xavier Paes de Barros, que, em 1903, sugeriu ao Paulistano a disputa de uma taça de prata entre clubes de diversas regiões do país.
A idéia só veio a se concretizar a partir de 1967. Como dissemos, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, que até o ano anterior contava apenas com times do Rio de Janeiro (estado da Guanabara) e de São Paulo, passou a contar também com times de outros estados, sendo um protótipo do Campeonato Brasileiro. Era o famoso “Robertão”. Tanto o Rio – São Paulo pode ser considerado o ponto de partida para o Brasileirão que a própria CBF, em 1980, reconheceu isso como justificativa para conceder maior número de vagas para clubes desses dois estados (cf. Assaf). Na realidade, como diz Roberto Assaf, “é esse, de fato, efetivamente o primeiro campeonato – na essência da palavra – de âmbito nacional disputado no Brasil”.
Em 1970, chamou-se Taça de Prata. A euforia provocada pela conquista da Copa do Mundo do México levou a CBD a oficializá-la como Campeonato Nacional, a partir de 1971.
Para abrir a temporada, a CBD instituiu também o Torneio do Povo, entre os times mais populares de alguns estados. Com esse nome demagógico, foi disputado – que ironia – justamente durante os anos de chumbo: 1971 a 1973. Com a proximidade da Copa do Mundo da Alemanha e o risco de concorrer com o próprio Campeonato Nacional, a CBD o extinguiu em 1974. Não vou considerá-lo entre os “torneios entre principais times – Brasil” porque nem ele nem seus participantes pretendem compará-lo com o Campeonato Nacional então existente, que tinha maior representatividade. Pelo mesmo motivo, não consideraremos o Torneio Heleno Nunes nem o Torneio Maria Quitéria.
De 1975 a 1979, o campeonato mudou de nome para Copa Brasil. De 1980 em diante, passou a se chamar Campeonato Brasileiro.
De 1980 a 1983 e 1985, a 2ª divisão foi chamada de Taça de Prata, em contraste com a Taça de Ouro (1ª divisão) e a Taça de Bronze de 1981 (primeira edição da 3ª divisão). Em 1984, a 2ª divisão se chamou Taça CBF e, em 1986, Torneio Paralelo.
Em 11.07.1987, os principais clubes do país criaram o Clube dos Treze que organizou uma Copa União entre 16 times. Depois, a CBF chamou o torneio original do Clube dos Treze de Módulo Verde (1ª divisão), criou os Módulos Amarelo (2ª divisão), Azul e Branco (3ª divisão) e um quadrangular final entre os campeões e vices dos dois primeiros, que não foi aceito pelo Clube dos Treze. Assim, para o Clube dos Treze, o campeão é o Flamengo, primeiro lugar do Módulo Verde. Para a Justiça Comum, é o Sport, do Amarelo, porque o Flamengo não disputou esse quadrangular. A CBF chegou a considerar ambos campeões, cf. RDP nº 2, de 21.02.2011. Só que, em cumprimento a uma ordem judicial, teve de voltar atrás, cf. RDP nº 6, de 14.06.2011. Até o encerramento da redação deste texto, a questão ainda estava em aberto.
Para as finalidades deste texto, pouco importa a decisão da CBF ou da justiça. Simplesmente porque: (i) as decisões da CBF não me atingem porque eu não sou um clube nem uma federação; (ii) as ordens judiciais não me obrigam porque não sou parte na ação; (iii) isto aqui não é uma decisão mas apenas uma opinião e (iv) minha análise se prende ao critério da composição dos torneios, portanto não é jurídica nem se pauta pelos mesmos aspectos em discussão na ação judicial.
Sendo assim, em minha opinião (apoiada nas obras de Roberto Assaf, Gustavo Roman e Luís Miguel Pereira, bem como na revista Placar Tira-Teima), a Copa União representa, no ano de 1987, o “torneio entre os principais times – Brasil”, enquanto o quadrangular vencido pelo Sport constitui um campeonato entre campeões nacionais, conforme explicaremos no capítulo próprio destes, mais adiante.
Em 2000, uma ação judicial do Gama-DF que impedia a realização do Campeonato Brasileiro obrigou a CBF a criar, em seu lugar, a Copa João Havelange, dividida nos Módulos Azul (1ª divisão), Amarelo (2ª divisão), Verde e Branco (3ª divisão).
Não vamos considerar aqui a Copa São Paulo de Juniores porque a limitação de idade impede que seja disputada pelos times principais dos clubes (tratamos disso ao falar em equivalência de índice técnico, em nosso artigo “Pelo reconhecimento de títulos cariocas extraoficiais”). Também não consideramos o Torneio da Imprensa porque, entre outros motivos, era um torneio misto, que contava não só com clubes (como o campeão Bangu e a vice Portuguesa), mas também com dois combinados: Atlético-Cruzeiro e Bonsucesso-Madureira-Canto do Rio.
É claro que a 2ª, 3ª e 4ª divisões do Brasileirão são torneios de âmbito nacional. No entanto, nossa análise considera os “principais times”, que, em tese, deveriam estar na 1ª. Pelo mesmo motivo, não consideramos o Torneio de Integração Nacional, composto por dezesseis times que ficaram de fora do Campeonato Nacional de 1971.
| ENTRE PRINCIPAIS TIMES – BRASIL | |||
| Ano | Campeão | Vice | Torneio |
| 1967 | Palmeiras | Internacional | Roberto Gomes Pedrosa |
| 1968 | Santos | Internacional | Roberto Gomes Pedrosa |
| 1969 | Palmeiras | Cruzeiro | Roberto Gomes Pedrosa |
| 1970 | Fluminense | Palmeiras | Taça de Prata |
| 1971 | Atlético-MG | São paulo | Campeonato Nacional |
| 1972 | Palmeiras | Botafogo | Campeonato Nacional |
| 1973 | Palmeiras | São Paulo | Campeonato Nacional |
| 1974 | Vasco | Cruzeiro | Campeonato Nacional |
| 1975 | Internacional | Cruzeiro | Copa Brasil |
| 1976 | Internacional | Corinthians | Copa Brasil |
| 1977 | São Paulo | Atlético-MG | Copa Brasil |
| 1978 | Guarani | Palmeiras | Copa Brasil |
| 1979 | Internacional | Vasco | Copa Brasil |
| 1980 | Flamengo | Atlético-MG | Campeonato Brasileiro |
| 1981 | Grêmio | São Paulo | Campeonato Brasileiro |
| 1982 | Flamengo | Grêmio | Campeonato Brasileiro |
| 1983 | Flamengo | Santos | Campeonato Brasileiro |
| 1984 | Fluminense | Vasco | Campeonato Brasileiro |
| 1985 | Coritiba | Bangu | Campeonato Brasileiro |
| 1986 | São Paulo | Guarani | Campeonato Brasileiro |
| 1987 | Flamengo | Internacional | Copa União |
| 1988 | Bahia | Internacional | Campeonato Brasileiro |
| 1989 | Vasco | São Paulo | Campeonato Brasileiro |
| 1990 | Corinthians | São Paulo | Campeonato Brasileiro |
| 1991 | São Paulo | Bragantino | Campeonato Brasileiro |
| 1992 | Flamengo | Botafogo | Campeonato Brasileiro |
| 1993 | Palmeiras | Vitória | Campeonato Brasileiro |
| 1994 | Palmeiras | Corinthians | Campeonato Brasileiro |
| 1995 | Botafogo | Santos | Campeonato Brasileiro |
| 1996 | Grêmio | Portuguesa | Campeonato Brasileiro |
| 1997 | Vasco | Palmeiras | Campeonato Brasileiro |
| 1998 | Corinthians | Cruzeiro | Campeonato Brasileiro |
| 1999 | Corinthians | Atlético-MG | Campeonato Brasileiro |
| 2000 | Vasco | São Caetano | Copa João Havelange |
| 2001 | Atlético-PR | São Caetano | Campeonato Brasileiro |
| 2002 | Santos | Corinthians | Campeonato Brasileiro |
| 2003 | Cruzeiro | Santos | Campeonato Brasileiro |
| 2004 | Santos | Atlético-PR | Campeonato Brasileiro |
| 2005 | Corinthians | Internacional | Campeonato Brasileiro |
| 2006 | São Paulo | Internacional | Campeonato Brasileiro |
| 2007 | São Paulo | Santos | Campeonato Brasileiro |
| 2008 | São Paulo | Grêmio | Campeonato Brasileiro |
| 2009 | Flamengo | Internacional | Campeonato Brasileiro |
| 2010 | Fluminense | Cruzeiro | Campeonato Brasileiro |
| 2011 | Corinthians | Vasco | Campeonato Brasileiro |
| 2012 | Fluminense | Atlético-MG | Campeonato Brasileiro |
| 2013 | Cruzeiro | Grêmio | Campeonato Brasileiro |
| Títulos: 6 – Palmeiras, São Paulo, Flamengo; 5 – Corinthians; 4 – Vasco, Fluminense; 3 – Santos, Internacional; 2 – Grêmio, Cruzeiro; 1 – Atlético-MG, Guarani, Coritiba, Bahia, Botafogo, Atlético-PR Por estado: 21 - São paulo; 15 - Rio de Janeiro; 5 - Rio Grande do Sul; 3 - Minas Gerais; 2 - Paraná; 1 - Bahia |
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