Campeões do Futebol

CAPÍTULO 6 - UNIFICAÇÃO DOS TÍTULOS BRASILEIROS
(7. TORNEIOS ENTRE CAMPEÕES NACIONAIS)



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7. Torneios entre campeões nacionais

Em 1968, a CBD instituiu o Torneio dos Campeões da CBD. Era uma competição em que o campeão do Torneio Zonal Centro-Sul-Norte-Nordeste (equivalente a uma segunda divisão do Campeonato Nacional) disputaria com o campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (equivalente à primeira divisão do Nacional) o direito de jogar contra o campeão da Taça Brasil. Ou seja, trata-se de um torneio entre campeões nacionais, dado o caráter nacional dos três campeonatos envolvidos. Só teve a edição de 1968, quando o Grêmio Maringá, campeão do Torneio Zonal, empatou dois jogos com o Santos, que desistiu de jogar a terceira partida. Por falta de calendário, foi cancelada a disputa com o Botafogo, campeão da Taça Brasil, e o Grêmio Maringá foi declarado campeão do Torneio.

A Copa dos Campeões da Copa Brasil de 1978, organizada pela CBD, reuniu os campões brasileiros de 1971 (Atlético-MG), 1974 (São Paulo) e 1977 (Vasco). Foi vencida pelo Atlético.

O Torneio dos Campeões de 1982 teve o seguinte critério de composição: equipes que já tinham vencido pelo menos uma competição de âmbito nacional. Ou seja, era com os campeões históricos, não os do ano do torneio ou do ano passado. Digamos então que foi uma versão brasileira da Supercopa, disputada de 1988 a 1997 entre os campeões da Libertadores. O America-RJ, que participou como convidado, venceu o torneio. Guarani, vice.

O modelo de torneio entre times que ganharam títulos de âmbito nacional em um mesmo ano – experimentado no Torneio dos Campeões da CBD – foi retomado somente em 1990, com a Supercopa do Brasil. Era um encontro entre o vencedor do Campeonato Brasileiro e o da Copa do Brasil do ano anterior. Só teve duas edições. Em 1990, com dois jogos; em 1991, com apenas um jogo – assim como a Recopa, entre o campeão da Libertadores e o da Copa Sul-americana.

No ano seguinte, teve uma Taça Brahma dos Campeões, também chamada de Supercopa, só que entre o campeão da Primeira com o da Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro.

Esta última Taça me deu uma idéia para interpretar o imbroglio de 1987. Comparemos a seguir o que aconteceu nesse ano com a Taça Brahma e com aquelas edições do Brasileirão em que há um cruzamento entre as divisões.

Nos Campeonatos Brasileiros da década de 80, times da 2ª divisão (Taça de Prata, da Taça CBF e Torneio Paralelo) disputavam o direito de participar de fases posteriores do campeonato da 1ª divisão. O mesmo ocorreu na Copa João Havelange, quando os times melhor colocados da 2ª (Módulo Amarelo) e 3ª (Módulos Verde e Branco) divisões se classificaram para jogar com times da 1ª divisão (Módulo Azul). Essa era a organização. Observa-se nesses torneios uma disparidade na composição dessas fases posteriores, em que há o cruzamento entre os times originários de divisões distintas. Isso porque, nelas, há mais times vindos da 1ª divisão que times das outras divisões. Por fim, as divisões são torneios autônomos, cada qual com seus campeões próprios, mas isso é relativizado no que tange ao cruzamento que permite a times da 2ª e 3ª divisão participar de fases posteriores da 1ª. Nesse aspecto, as divisões funcionam como chaves de uma fase do campeonato.

Em comparação, a Taça Brahma foi organizada numa única partida entre o campeão da 1ª com o da 2ª divisão. Quanto à composição, foi paritária: um time de cada divisão, apenas os campeões. Quanto à autonomia, as divisões são torneios indiscutivelmente distintos.

E o que aconteceu em 1987? A CBF, à revelia do Clube dos Treze, organizou um quadrangular entre os dois primeiros colocados da 1ª (Módulo Verde) e da 2ª (Módulo Amarelo) divisões. A composição foi paritária: dois times de cada divisão. No que diz respeito à autonomia, a questão se complica, pois o Clube dos Treze considera que aquilo que a CBF chama de “Módulo Verde” na realidade é um torneio autônomo: a Copa União. Já a CBF o considera uma chave integrante de uma fase do campeonato.

O que se verifica é um paralelo claro entre a Taça Brama e o campeonato de 1987 no critério que tenho considerado como básico para as análises, que é o da composição: em ambos os casos, a composição foi paritária. No entanto, não foi paritária a participação dos times da 2ª divisão nos campeonatos citados da década de 80 e na Copa João Havelange. Essa distinção de tratamento tem total relação com a autonomia dos campeonatos. Uma distribuição desigual de vagas só faz sentido num torneio em que as chaves possuem uma distinção, por assim dizer, hierárquica: atribui-se mais vagas à 1ª divisão que à 2ª se o título disputado for da 1ª. Todavia, não faria sentido que a Recopa distribuísse suas vagas desigualmente entre Libertadores e Sul-americana, nem que a Supercopa do Brasil fosse entre campeão e vice do Brasileirão contra apenas o campeão da Copa do Brasil. A Taça Brahma seguiu essa orientação: como não era uma fase do campeonato da 1ª divisão, não havia motivo para dar mais vagas à 1ª que à 2ª divisão: deu apenas uma vaga para cada.

Daí que a composição paritária do quadrangular entre os Módulos Verde e Amarelo de 1987 o aproxima de um campeonato entre campeões nacionais. Se ele fosse uma fase (final) do campeonato da 1ª divisão, a história demonstra que teria outra composição, com mais times da 1ª (Módulo Verde) que da 2ª divisão (Módulo Amarelo). Foi assim nos Campeonatos Brasileiros da própria década de 80, bem como na Copa João Havelange.

A propósito, há quem defenda que o quadrangular final de 1987 foi organizado não para definir um campeão brasileiro unificado, mas para selecionar os participantes para a Libertadores de 1988 – que foram, não por outro motivo, Sport e Guarani. Faz sentido, já que o poder de indicar os participantes era da CBF, não do Clube dos Treze. Além disso, como já dissemos no item 5, não vemos na distribuição das vagas para a Libertadores um critério seguro para caracterizar a natureza do certame. Todavia, em nossa opinião, ainda que o objetivo desse quadrangular fosse indicar os participantes da Libertadores, ele assumiu o papel de um torneio entre campeões nacionais.

Assim, apesar do nome – que pouco importa, como já dissemos acima várias vezes –, é possível classificar o Campeonato Brasileiro de 1987 como um torneio entre campeões nacionais: campeões e vices da Copa União e da 2ª divisão. Que fique claro que isso não é nenhum demérito para o glorioso Sport. Pelo contrário: significa integrar um seleto rol de campeões de um tipo de torneio que, infelizmente, não tem sido comum no Brasil.

Aliás, a CBF poderia retomar a Supercopa do Brasil como uma Recopa brasileira: dois jogos que prometem arrecadação e não tumultuariam o calendário de ninguém. Serviria até como um tira-teima entre Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil. Atualmente, a disputa está empatada: um título para um campeão da Copa do Brasil (Grêmio) e um para um campeão brasileiro (Corinthians).

ENTRE CAMPEÕES NACIONAIS – BRASIL
Ano Campeão Vice Torneio
1968 Grêmio Maringá Santos Torneio dos Campeões da CBD
1978 Atlético-MG São Paulo Copa dos Campeões da Copa Brasil
1982 América-RJ Guarani Torneio dos Campeões
1987 Sport Recife Guarani Campeonato Brasileiro
1990 Grêmio Vasco Supercopa do Brasil
1991 Corinthians Flamengo Supercopa do Brasil
1992 Flamengo Paraná Taça Brahma dos Campeões
Títulos: 1 – Grêmio Maringá, Atlético-MG, America-RJ, Sport, Grêmio, Corinthians, Flamengo
Por estado: 2 - Rio de Janeiro; 1 Paraná, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo
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