Federação Roraimense de FutebolO EXTINTO ESTÁDIO JOÃO MINEIRO



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O extitno estádio, campo João Mineiro (RR)Nas décadas de 60 e 70 os torcedores roraimenses passavam a semana inteira se preparando para assistirem o maior clássico do futebol local, o Bareima (Baré x Roraima) no estádio João Mineiro. Hoje o estádio não existe mais, tem apenas o portal onde recentemente foi reinaugurada uma praça. No campo onde os grandes craques roraimenses do passado, encantaram os torcedores funciona a Maternidade Nossa Senhora de Nazaré.

Quem não se lembra dos passes e dribles desconcertantes de Roberto Silva que parecia com o eterno ponta direita da Estrela Solitária (Botafogo do Rio de Janeiro), o Garrincha. Aqui em Roraima, Roberto Silva deixou muitos adversários a ver navios e chegou a ser apontado como um dos maiores artilheiros da história do futebol de Roraima. Não foi a toa que ele, foi durante 10 anos, isto mesmo, dez anos artilheiro do Campeonato Amador, promovido pela Federação Riobranquense de Desporto (FRD).

Outros craques também deixaram suas marcas no estádio João Mineiro, dentre eles, Chico Roberto (ex-prefeito de Pacaraima), os irmãos Barac e Rubens (Rubinho) Bento, Newton Campos (a enciclopédia do futebol roraimense), Rubens Silva (Rubão) irmão de Roberto Silva.

Além de Idalmir Cavalcanti, Cloves Rates, Pedro Reis, Luciano Araújo (atual presidente do Baré) e o irmão dele, Agacy Araújo, Augusto Monteiro (diretor geral do Tribunal de Justiça), José da Gama Xaud (Zeca Xaud), presidente da Federação Roraimense de Futebol (FRF), os goleiros Wilson Arruda (Pipira) e Alcides Lima (Alcidinho), Nelson Almeida, Pedro Camarão, Paulo Duarte e tantos outros craques.

Segundo o advogado e ex-goleiro Alcides Lima, o nome do estádio foi em homenagem a um pedreiro (mestre de obra) chamado João Mineiro. Ele era o incentivador do futebol em Roraima, e ele foi presidente de um time chamado Operário cuja camisa era vermelha, azul e branca.

Iniciador
“Tenho conhecimento de que João Mineiro foi o grande iniciador da obra desse estádio que veio a receber seu nome, João Mineiro. Isto se não me engano pela década de 40. Cheguei a participar de jogos memoráveis no João Mineiro, onde comecei a minha carreira no Rio Branco Esporte Clube aos 12 anos de idade em 1957, como Juvenil”, enfatizou Alcidinho. De acordo com o ex-jogador, o presidente do clube era Silvio, pai de Augusto Monteiro e Elesbão, todos os dois eram médicos. Ambos eram conhecidos como a dupla Café com Leite, pois Silvio era branco e Elesbão era negro. O técnico do Rio Branco era o grande craque conhecido como Caveira que reside hoje em Brasília.

Durante sua carreira de jogador, Alcidinho teve muitos momentos marcantes no estádio João Mineiro. Sendo que ele gosta de relembrar são as partidas do maior clássico do Estado o Bareima (Baré x Roraima). Uma semana antes da partida, a cidade de Boa Vista só respirava o confronto entre as duas maiores equipes da Capital.

“Após a final de cada Bareima, o time que ganhava a partida, saia pelas principais ruas da Capital numa carreata misturada com passeata do estádio João Mineiro em direção a Jaime Brasil, no sentido de celebrar a vitória sobre a equipe rival, denominada Vamos para a Legenda”, ressaltou Alcides Lima.

No portal do estádio João Mineiro tinha bilheterias separadas. De um lado no dia do Clássico Bareima, ficava uma bilheteria para a venda de ingressos para os torcedores do Baré e do outro lado do portal, um ponto de venda para a torcida do Roraima. Esta medida chegou a ser tomada devido a grande rivalidade entre os torcedores das duas equipes.

Quando o Baré jogava contra o Roraima e vice-versa, o estádio João Mineiro ficava com suas dependências tomadas pelos torcedores barelistas e tricolores. Na visão de Alcidinho era comum no Bareima a principal praça de esportes da época, chegar a receber uma média de 2 mil torcedores.

Pitoresco
Um fato pitoresco que Alcides Lima (tinha na época seis anos de idade) em 1951, presenciou no estádio João Mineiro, ocorreu durante um Bareima. O médico Reinaldo Neves pai de Jorginho, Rinaldo, Rivaldo e Cacau Neves, era uma pessoa muito impulsiva não aceitou a marcação de um pênalti marcado pelo juiz durante a partida. “O Reinaldo foi até em direção ao árbitro do jogo e disse que o pênalti não seria batido e a penalidade máxima não foi cobrada. Além de impedir que o pênalti fosse batido, o Reinaldo sugeriu que o juiz da partida fosse substituído e o árbitro terminou sem apitar os minutos finais do Bareima. Foi montado um tremendo sururu, o Reinaldo ficou na marca do pênalti, segurou a bola e disse: para continuar o jogo o juiz tem que sair”, declarou Alcidinho.

Progresso
Com relação à demolição do estádio João Mineiro, após a inauguração do estádio Flamarion Vasconcelos (Canarinho), para o ex-goleiro Alcidinho isto são coisas do chamado progresso. O local era um espaço muito grande e ele acredita que o fim do João Mineiro possa ter acontecido no primeiro governo de Ottomar Pinto ou no governo de Ramos Pereira.

Para Alcidinho o espaço do João Mineiro era necessário, pois a Capital já contava com o estádio Canarinho. Foi construída a Maternidade Nossa Senhora de Nazaré além de uma praça, mais uma parte da história do estádio por onde brilhou os maiores craques do futebol roraimense, ainda permanece de pé, o portal por onde os torcedores compravam os ingressos para incentivar seus ídolos no maior Clássico do Estado o Bareima (Baré x Roraima).


Fonte: www.roraimanoticias.com.br e Arquivo www.campeoesdofutebol.com.br
Pesquisas de Sidney Barbosa da Silva
Página adicionada em 30/Novembro/2012.

 

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