2010 foi um ano marcante para o torcedor espanhol. A delegação de 23 jogadores e comissão técnica viajou à África do Sul com um sonho e voltou para casa com a tão desejada taça de campeão da Copa do Mundo daquele ano.
A conquista finamente colocou a Espanha no hall de campeões mundiais que já contava com Brasil, Argentina, Uruguai, Alemanha, Itália, França e Inglaterra, após muitos anos de bastante expectativa, mas “jogando como nunca e perdendo como sempre”.
No entanto, o título na África do Sul veio com muito suor: a Fúria não teve vida fácil em praticamente nenhum jogo, com alguns deles sendo decididos de forma dramática.
Porém a conquista de 2010 certamente estará pra sempre na memória. Neste especial, relembramos o título que completa dez anos em 2020. Confira!
A chegada ao Mundial
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Dois anos antes da Copa, a Espanha afastou o estigma de “time amarelão” com a conquista da Euro 2008. A vitória por 1 a 0 sobre a Alemanha em Viena, com gol de Fernando Torres, colocou a seleção comandada por Luis Aragonés em outro patamar no continente. Pode-se dizer que ali começava a trajetória do título mundial de dois anos depois.
Houve uma troca de treinador que já estava praticamente anunciada antes mesmo da conquista: saiu Luis Aragonés, entrou Vicente del Bosque. Mas o famoso estilo “tiki-taka” permaneceu na seleção liderada por Xavi, Iniesta, Villa e companhia.
A campanha nas eliminatórias foi irrepreensível: 10 jogos, 10 vitórias, 28 gols marcados e apenas 5 sofridos. Não havia quem não colocasse a Espanha como uma das grandes favoritas ao título mundial.
Primeira fase: susto e alívio
Como a história mostra, confirmar o favoritismo na pressão de uma Copa do Mundo é tarefa pra lá de complicada, e a Fúria provou isso logo de cara. A estreia na competição foi contra a modesta (porém perigosa) Suíça.
Muitos apostavam em vitória tranquila da equipe de Del Bosque, mas não foi o que aconteceu. É preciso lembrar que o adversário não tinha o apelido de “ferrolho suíço” à toa: quatro anos antes na Alemanha, terminou a Copa do Mundo sem sofrer um gol sequer em quatro partidas.
Contra a Espanha, foi isso que aconteceu: a sólida defesa se manteve invicta pelos 90 minutos. De quebra, Gelson Fernandes marcou no começo do segundo tempo e calou a torcida espanhola no Estádio Moses Mabhida, em Durham: vitória dos suíços por 1 a 0.
A derrota espanhola voltou a colocar dúvidas sobre o verdadeiro potencial da equipe. O segundo jogo contra Honduras - o patinho feio do grupo - passou a ser fundamental para a Fúria se manter viva no torneio.
A seleção vermelha mostrou seu poder de reação: em uma partida convincente no Ellis Park, em Johanesburgo, o time europeu bateu os hondurenhos por 2 a 0, com dois gols de David Villa, somando os primeiros três pontos no grupo H.
Mas ainda era necessário derrotar a forte seleção do Chile para garantir a classificação sem depender do resultado entre Honduras e Suíça. Os olhos do mundo estavam voltados para o Estádio Loftus Versfeld, em Pretória, no último dia da fase de grupos.
Após um ótimo primeiro tempo, a Espanha foi ao intervalo vencendo por 2 a 0, gols de Iniesta e Villa. Porém um gol de Millar, após desvio de Piqué voltou a preocupar os espanhóis. No entanto, a reação chilena parou por aí. A vitória por 2 a 1 deu a classificação à Espanha em primeiro lugar. Alívio!
Mata-mata: jogos dramáticos
Veio a fase de mata-mata, e com ela, mais sofrimento. O primeiro duelo foi um clássico ibérico contra a seleção portuguesa de um certo Cristiano Ronaldo, no Estádio da Cidade do Cabo.
Apesar das boas chances criadas pelos lusos no primeiro tempo, a Espanha dominou o confronto na posse de bola e conseguiu furar o bloqueio português aos 18 do segundo tempo, com o artilheiro David Villa, após lindo passe de Xavi: 1 a 0 e vaga garantida nas quartas.
O adversário foi o surpreendente Paraguai – que havia eliminado a então campeã Itália na fase de grupos. Apesar da disparidade técnica entre as duas equipes, o jogo no Ellis Park foi dos mais dramáticos para os espanhóis na competição.
Após um 0 a 0 no primeiro tempo, com direito a gol anulado da seleção sul-americana, os paraguaios tiveram um pênalti na segunda etapa depois de Piqué derrubar Oscar Cardozo dentro da área. O próprio Cardozo bateu, mas brilhou a estrela de Casillas, que defendeu. Pouco depois foi a vez Villa sofrer pênalti. Xabi Alonso cobrou e marcou, mas o juiz mandou voltar por conta de uma invasão espanhola antes da cobrança. Na segunda tentativa, o goleiro paraguaio Villar evitou o gol.
O 0 a 0 persistiu até os 38 minutos, quando David Villa novamente salvou o dia, após rebote de chute de Pedro: 1 a 0. Com a vitória, a Espanha estava de volta à semifinal após 60 anos.
O jogo seria contra a Alemanha, a mesma rival de dois anos antes na decisão da Eurocopa. O roteiro foi parecido com os demais jogos da Fúria: muita posse de bola e o rival apostando no contra-ataque.
Aos 28 do segundo tempo, veio o escanteio que mudou a história do jogo: Xavi cruzou na área e Puyol subiu no terceiro andar, vencendo a defesa espanhola e cabeceando sem chances para Manuel Neuer. O gol mais importante da carreira do zagueiro colocou a Espanha em uma final de Copa do Mundo pela primeira vez.
Final: o brilho de Iniesta
A grande decisão no Estádio Soccer City em Johanesburgo, coroaria um novo campeão. Isso porque do outro lado estava a Holanda, que também nunca havia sido campeã, apesar de estar em sua terceira final de Copa do Mundo.
A equipe de Sneijder e Robben havia eliminado o Brasil nas quartas-de-final, e chegou à decisão com muita moral diante dos espanhóis.
A Holanda teve a grande chance do jogo aos 17 minutos da etapa final, nos pés de Arjen Robben. Ele saiu cara a cara com Casillas, mas o goleiro espanhol mais uma vez salvou a Espanha e evitou o que seria o gol do título. Boas chances de ambos os lados, mas nenhum gol no tempo normal.
Veio a prorrogação, e tudo indicava mais 30 minutos sem gols e outra decisão de Copa do Mundo nos pênaltis à exemplo da última, entre Itália e França. Porém, faltando quatro minutos para o apito final, após troca de passes no melhor estilo “tiki-taka”, Andrés Iniesta saiu na cara do gol e não deu chances a Stekelenburg: 1 a 0. A Espanha, finalmente, era campeã do mundo.
Pós-copa
Todos os jogos no mata-mata foram decididos por 1 a 0, mas há de se dizer: em momento algum a Espanha abdicou de seu estilo de jogo de posse de bola que já fazia muito sucesso com o Barcelona de Pep Guardiola. O título significou o triunfo do futebol bem jogado, em uma Copa que não teve o nível técnico como ponto forte (uma das menores médias de gol da história dos mundiais).
O sonho do bi ficou frustrado com campanhas ruins tanto em 2014 no Brasil (eliminada na primeira fase), quanto em 2018 na Rússia (caiu nas oitavas contra os donos da casa). Para 2022, a Fúria está novamente entre os favoritos, com odds de 8,5 pra 1, ficando atrás apenas de França, Brasil, e Alemanha.
Hoje, a Seleção Espanhola mantém o estilo de dez anos atrás, embora sem o mesmo brilho de outrora. Boa parte dos jogadores daquela seleção já não vestem mais a camisa da Fúria, e alguns até se aposentaram do futebol, como Xavi, Puyol, Villa e Fernando Torres.