HISTÓRIA DO CARLOS RENAUX


CA Carlos Renaux  CLUBE ATLÉTICO CARLOS RENAUX
  Fundada em 14 de setembro de 1913
  Endereço: Av Lauro Müller n° 13, Centro – Brusque/SC - CEP: 88353-040
  Site oficial: n/d


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O clube foi fundado em 14 de setembro de 1913, com o nome Sport Club Brusquense, sendo um dos primeiros times de futebol de Santa Catarina. Não havia campo, nem uniformes, nem mesmo uma bola "oficial" na cidade. Tudo teve que ser importado ou criado no município. Os primeiros jogos eram disputados, literalmente, na raça, com jogadores descalços.

Em 1914 foi instituido o primeiro uniforme: camisas de listras verticais branco e vermelho, em homenagem a bandeira do estado, com calção branco, meias compridas e chuteiras de couro. As meias e as chuteiras eram fabricadas em Brusque, mediante modelos trazidos de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, por Arthur Olinger e Matias Moritz.

Primeiro Hino
O primeiro hino do Sport Club Brusquense, com letra da Srta. Maraia Etelvina da Luz, e música de Primo Diegoli, foi a seguinte:

Ao campo, jogadores.
Treinar para vencer.
Unidos no Combate.
Seremos até morrer!

Somos fortes jogadores
Do Brusquense Club Amado.
Venceremos o Combate
Sempre "Azul-encarnado"!

Estádio
O Estádio Augusto Bauer, sede do Sport Club Brusquense, que até então treinava nas dependências do "Turnverein Brusque" - atual Bandeirante - começou a se tornar realidade a partir de 1931, quando o clube adquiriu o terreno para a sua construção na avenida Lauro Muller. O Estádio foi batizado com o nome do antigo proprietário do terreno, o senhor Augusto Bauer.

Antes da construção do Estádio Augusto Bauer os jogos do Brusquense aconteciam em terrenos alugados, e mais tarde, no campo da Sociedade Ginástica (atual S.E. Bandeirante), também alugado, passando tempos depois para o terreno onde se encontra o atual estádio.

O Estádio Augusto Bauer foi inaugurado em 07 de junho de 1931.

Inauguração da Sede em 1940
SC Brusquense Sede 1940

O Sport Club Brusquense Inaugurou sua sede em 1940. Em seus salões foram realizadas diversas festas carnavalescas, encontros sociais e comemorações políticas. Foi, sem dúvida, um espaço de destaque na sociedade brusquense. Depois dos estragos causados pela enchente de 1984, a sede social foi demolida.

Mudança de nome
Em março de 1944, o Sport Club Brusquense mudou de nome, passou a se chamar Clube Atlético Carlos Renaux, recebendo também o título de "Vovô do Futebol Catarinense". Disputou jogos com times de vários locais do Brasil, enfrentando inclusive o Flamengo, Vasco da Gama e Botafogo, este em 30 de março de 1958 (veja O melhor jogo de futebol em Santa Catarina), ambos do Rio de Janeiro, Coritiba e Palestra Itália, os dois de Curitiba, todos nos gramados do Augusto Bauer.

O primeiro título estadual
Carlos Renaux Campeão Catarinense de 1950
Em 1950 o Clube Atlético Carlos Renaux conquista seu primeiro campeonato catarinense. Jogou contra o Atlético, de São Francisco do Sul, o Grêmio, de Caçador e o Figueirense, da Capital. Na foto acima os campeões - De pé: Valdir Bianchini, Tesoura, Anibal Bolognini, José Germano Schaefer (Pilolo), Afonsinho, Arno Mosimann, Ivo Willrich. Agachados: Aderbal Schaefer, Otávio Bolognini, Helio Olinger, Egon Petruschky e Oli Rodrigues (Tijucano).

A enchente de 1984
Carlos Renaux - Enchente de 1984
A 4 de agosto de 1984 abateu-se grande enchente sobre a cidade de Brusque, causando danos imensos ao Estádio Augusto Bauer, obrigando o Carlos Renaux a licenciar-se do futebol profissional e do Campeonato Catarinense, onde disputava a primeira divisão.

Neste momento, em virtude de grande enchente que assolou Santa Catarina o campeonato foi interrompido por 24 dias. Em 29 de agosto o Carlos Renaux jogaria contra o Criciúma, em Criciúma, entretanto a equipe com seu estádio totalmente atingido pelas cheias, pediu licença na FCF, tendo assim a entidade considerando, para efeitos de tabela, derrota por WO em todos os últimos seis jogos do clube. Este foi o último campeonato do Renaux na primeira divisão de profissionais de SC.

Fusão com o Paysandú
Brusque FC Fruto da FusãoEm outubro de 1987 o clube se fundiu com o Clube Esportivo Paysandu para dar origem ao Brusque Futebol Clube. Durante o período que se integrou a esta associação, como também fez o Paysandú, manteve seus estatutos em vigor, retirou-se apenas da parte esportiva, emprestando seu estádio para jogos do clube fundado em 1987. O Carlos Renaux sempre existiu durante este período, mantendo seu patrimônio, apenas não tinha representatividade. O mesmo aconteceu com o Paysandú.

O fim da fusão
Em 1997 era grande o apelo de torcedores para o retorno do Vovô, sonho de Leopoldo Bauer. Neste ano, uma matéria do repórter Toni Nicolas Bado ganhou capa no jornal "Diário Brusquense" sob a manchete "Brusquenses querem a volta do Carlos Renaux!" despertando a partir dalí o coração de torcedores e ex-dirigentes do clube. Dois mil adesivos com o distintivo do clube foram confeccionados e tiveram saída instantânea entre os atleticanos que colavam os mesmos nos seus carros. O próximo passo foi um encontro informal em 18 de março de 1997, na Sociedade Esportiva Bandeirante. Treze pessoas compareceram. Uma semana depois, novo encontro, o número de presentes duplica. Sete dias após, um terceiro encontro e o número triplica. Eis que em 8 de abril, também no Bandeirante, é aprovada a formalização de uma Comissão Provisória para representar o clube e tentar evitar o desejo do Brusque FC em vender o estádio (que já havia ido a leilão) que não pertencia ao mesmo, mas sim ao Carlos Renaux, conforme comprovam as escrituras e demais documentos.

A comissão foi composta por José Carlos Loos, Antônio Abelardo Bado, Aníbal Schulemberg, Toni Nicolas Bado, Abraão Souza e Silva, Augusto Diegolli, Rogério Wippel, Leonardo Loos, Klaus Peter Loos, Nilo Debrassi, Roberto Kormann e Jair Boetnner. Mais de 30 adeptos se integraram a comissão, entre eles, Nildo Teixeira de Mello, o Teixeirinha, maior craque de futebol catarinense.

Após gestões mal sucedidas, acúmulo de dívidas e depredação dos patrimônios (chegando ao ponto de os refletores e cadeiras cativas serem penhoradas para pagamento de dívidas do Brusque FC), ameaças de penhora do estádio, para pagamento de rifas não-entregues e até mesmo um ex-dirigente do Brusque, que tinha a intenção de vender os dois patrimônios para a especulação imobiliária, os dois clubes entraram com pedido de dissolução da "fusão" em 1997. O Brusque FC entrou na justiça, alegando que os patrimônios pertenciam a eles, mas perdeu em todas as instâncias, tendo que devolver os patrimônios aos seus verdadeiros donos. A comissão foi legalizada, registrada em cartório e já realizou em 1997, a confecção de adesivos e camisas oficiais do Vovô, além de desfilar em 4 de agosto, aniversário da cidade, promover grande festa no restaurante da Mini-Fazenda Colcci, homenageando os 84 anos de existência.

Em 3 de fevereiro de 1998, em Assembleia Geral, realizada nas dependências do Centro Esportivo Roland Renaux (Iresa) os novos dirigentes foram eleitos e empossados, reconstituindo definitivamente o clube. Antônio Abelardo Bado (Presidente), José Carlos Loos (Vice), Rogério L Wippel (Diretor Administrativo), Roberto Kormann (Tesoureiro), Aderbal Schaefer (Orador). Comissão de Futebol: Roberto Luis Pereira, Valdir Belz, Anselmo Boos e Arno Mosimann. Comissão Social: Nair Gracher, Célis Muller, Maria do Carmo Muller e Licir Bologmini. Conselho Deliberativo: Leonardo Loos (Presidente), Aníbal Schulemburg (Vice), Klaus Peter Loos (Secretário). Conselheiros: Nildo Teixeira de Mello, Onildo Muller, João Paulo, James Crews, Gilberto Rau, Nélson José Penk, Vinícius José Bado, Augusto César Diegoli, Paulico Coelho, Ivo Barni, Edilberto da Silva, Juliano Belli, Alessandro Simas, Israel Duarte, Márcio Muller, Ivan Evaristo e Rafael Walendowsky. Para ser o presidente de Honra, foi aclamado por unanimidade o ex-craque Teixeirinha.

Mudança de Nome
Em 2006, um empresário português, Carlos Andrade, conseguiu iludir a diretoria do clube, prometendo uma gestão profissional. Fez um contrato longo e deixou dívidas enormes. O próprio desapareceu e ninguém sabe seu paradeiro. Até mesmo o nome do clube foi mudado para "Sport Clube Brusquense" (primeiro nome do clube na sua fundação), mas que durou por pequeno periodo retornando a Carlos Renaux. Este empresário, sublocou o estádio Augusto Bauer ao Brusque FC por 5 anos, com direito total de uso do estádio.

Quando o contrato estava por vencer, ao final de 2011, o Carlos Renaux foi surpreendido com uma liminar que corria em segredo de justiça, permitindo que a cessão do estádio continuasse ao outro clube. Mais uma vez o retorno das atividades do CACR foi prejudicado. O clube então, entrou na justiça para derrubar esta liminar, enquanto continuava a pagar suas dívidas e planejar seu retorno. Apenas no final de 2012, a liminar foi retirada e o Carlos Renaux reativou amplamente suas categorias de base. Além disso, futebol feminino, futebol veteranos, futebol amador e futebol-sete foram reativados no clube. O clube passou a disputar torneios da ACEF, com suas categorias de base e o campeonato brusquense amador.

Retorno ao futebol profissional
Retornou às competições oficiais disputando em 2004 o Campeonato Catarinense da Segunda Divisão de Profissionais - Divisão Especial (B1). Deixou de disputar as competições em 2005.

Em 2017, poucos dias antes de completar seu aniversário, a diretoria do C.A. Carlos Renaux desloca-se até a sede da Federação Catarinense de Futebol em Balneário Camboriú. Em reunião com o presidente Rubens Angelotti esboça a vontade de retornar ao futebol profissional. Após pagar altas taxas de reativação de um clube de futebol, na ordem de R$ 90 mil reais, a Federação Catarinense anuncia oficialmente a volta do Carlos Renaux ao futebol profissional. O presidente da Federação afirma que "hoje é um dia histórico para o futebol catarinense pois o mais antigo clube do estado e fundador da Federação Catarinense de Futebol está retornando ao cenário do futebol catarinense".

O retorno foi pela Série C, a Terceira Divisão do Campeonato Catarinense de 2018, em que o clube ficou na quarta colocação, caindo nas semifinais diante do Itajaí, que ficou com o vice-campeonato.

Títulos conquistados

Campeonato Catarinense: 1950, 1953

Campeonato Brusquense: 1959, 1960, 1961, 1962, 1963, 1987
Torneio Início de Brusque: 1959
Campeonato Blumenauense: 1950, 1952, 1953, 1954, 1958
Torneio Início de Blumenau: 1951, 1952, 1954, 1957
Campeonato do Vale do Itajaí: 1922, 1941, 1942, 1943, 1945
Torneio Início do Vale do Itajaí: 1940, 1941, 1943

Taça Telephonica Catharinense: 1930
Torneio Norte-Sul: 1954
Troféu Sociedade Esportiva Floresta: 1978
Torneio Relâmpago do Vale do Itajaí: 1940, 1941
Torneio Relâmpago Itajaí - Brusque: 1950
Torneio Extra Itajaí - Brusque: 1950
Torneio Extra Ministro José Galotti: 1954
Copa Norte - Sul Catarinense: 1954


Por Sidney Barbosa da Silva.
Fontes: Álbum Brusque: 150 Anos de História (ano 2000); facebook.com/clubecarlosrenaux; fcf.com.br/clubes-filiados; pt.wikipedia.org/wiki; e Arquivo www.campeoesdofutebol.com.br.
Página adicionada em 28/Janeiro/2019.