Brasil em 2026, uma Seleção com cara de Ancelotti e cheiro de confusão boa

 

O Brasil se classificou pra Copa de 2026 com um 1 a 0 no Paraguai em 10 de junho de 2025. Beleza. Só que o placar é quase detalhe, o que pegou mesmo foi a sensação de “ok, agora vai”. Carlo Ancelotti no comando dá um ar de time grande, desses que não entram em pânico por qualquer coisa, mas também não dá pra fingir que tá tudo resolvido. O Brasil sempre parece pronto e sempre parece um pouco incompleto, é do nosso pacote.

E aí tem o barulho em volta, as conversas, as listas de 26 nomes que brotam em todo canto, até em grupo de zap de família. Eu vi até gente misturando papo de convocação com coisa de aposta e plataformas mexicanas, como se o futuro da lateral direita dependesse de um clique. O mundo virou esse liquidificador, e a Seleção vai junto.


O “time base” que quase todo mundo enxerga


Se você juntar as projeções mais comuns, dá pra montar um esqueleto bem parecido. A formação varia, 4-2-3-1, 4-3-3, às vezes uma coisa meio híbrida que só faz sentido na cabeça do treinador. Mas os nomes, esses se repetem.

No gol, é Alisson ou Ederson. Eu sei, parece repetitivo falar isso há uns oito anos. Só que é um luxo real. Alisson passa uma calma meio irritante, Ederson joga com os pés como se fosse meia. E ainda tem Bento (que foi parar no Al-Nassr) ou John Victor correndo por fora. É o tipo de disputa que não dá vergonha nenhuma.

Na defesa, a espinha dorsal costuma ser Marquinhos e Gabriel Magalhães. Marquinhos já tá com mais de 100 jogos pela Seleção, um veterano que ainda parece jovem, meio injusto. Gabriel dá aquela sensação de zagueiro que não negocia. Éder Militão entra como “se estiver inteiro”. E aí mora o drama, porque o Brasil vive uma relação tóxica com joelho de zagueiro desde sempre.

Laterais, aí o assunto vira novela. Vanderson aparece forte na direita, Danilo vira opção segura, Wesley correndo atrás. Na esquerda, Caio Henrique é o nome que muita gente quer ver, Alex Sandro ainda aparece como aquele cara que você confia quando o jogo fica feio. Carlos Augusto também tá ali, meio subestimado, e isso pode ser bom.


Meio-campo, onde o Brasil tenta ser adulto


Casemiro e Bruno Guimarães é uma dupla que faz sentido. Casemiro já não é o mesmo motor infinito, claro, o tempo morde. Mesmo assim, em Copa, eu ainda acho que ele tem aquele “modo sobrevivência” que poucos têm. Bruno é mais moderno, mais móvel, e às vezes dá vontade de ver ele mandando no time sem pedir desculpa.

Lucas Paquetá costuma aparecer como o cara da ligação, o meia que pisa na área e também volta pra morder. Tem gente que não confia, tem gente que ama. Eu fico no meio, meio irritado com algumas escolhas dele, mas reconhecendo que ele cria coisas que não aparecem em estatística simples.

E aí vem a turma da briga por vaga: Andrey Santos, João Gomes, Fabinho como alternativa mais experiente, dependendo do que Ancelotti quiser num jogo específico. Copa é isso, não é só “os melhores”, é “os que encaixam no plano do dia”. Só que às vezes o plano do dia dá errado e você fica parecendo burro, paciência.


Ataque lotado, ansiedade maior ainda


Aqui é onde o Brasil fica quase indecente de tanta opção. Vinícius Júnior e Rodrygo são a base emocional do torcedor hoje. Vini virou aquele jogador que você liga a TV só pra ver o que ele vai aprontar. Rodrygo é mais silencioso, mais venenoso, parece que some e de repente fez dois movimentos certos e acabou.

Raphinha entra como opção forte, se estiver bem fisicamente. Endrick é o caos em forma de promessa, e o Brasil adora uma promessa, às vezes até demais. Lesão ou queda de forma pode bagunçar tudo, e isso pesa porque atacante vive de confiança, vive de sequência. Matheus Cunha, João Pedro, Richarlison, Savinho, Estevão… é uma fila de gente querendo um pedaço do Mundial.

A briga de centroavante é engraçada porque ninguém fica 100% satisfeito. Richarlison tem história na Seleção, tem faro em jogo grande, mas oscila. Cunha oferece intensidade e jogo físico. João Pedro é aquele nome que pode crescer na hora certa e deixar todo mundo com cara de “como a gente não viu antes?”. E Estevão, com esse hype todo, pode virar solução ou virar peso, depende do ambiente. Moleque sente.


Neymar, o fantasma e o farol


Neymar é o assunto que nunca morre. 79 gols pela Seleção, artilheiro máximo, e mesmo assim sempre parece que tá devendo alguma coisa pra alguém. A volta pro Santos mexeu com o imaginário, e também com a paciência de quem não quer mais viver de nostalgia.

Eu, honestamente, não descartaria. Em Copa, um jogador que decide em dois toques muda o torneio. Só que o corpo manda. Se ele não aguentar ritmo, vira um problema político dentro do elenco, mesmo sem querer. E o Brasil não precisa de novela mexicana, já basta a nossa.


As “tendências” que podem definir a lista final


Tem três pontos que eu acho que vão pesar até a convocação final.

Primeiro, a tal profundidade. O Brasil tem jogador bom demais pra pouco lugar. Isso é ótimo, mas também cria um clima de vestibular eterno. Um amistoso ruim e pronto, o cara vira meme, some da lista, aí volta seis meses depois como “renovação”. É cansativo.

Segundo, a mão do Ancelotti. Ele gosta de gente que entende o jogo, que não se perde quando o estádio vira um inferno. Por isso esses nomes mais experientes continuam aparecendo. E também por isso alguns garotos podem entrar aos poucos, sem aquele empurrão histérico que a gente costuma dar.

Terceiro, as posições problemáticas. Lateral direita ainda parece aberta, e centroavante também. O resto tá mais ou menos encaminhado. Zaga depende de saúde, meio-campo depende de ritmo, ataque depende de quem tá com a cabeça limpa. Sim, cabeça, porque tem jogador que quando tá feliz vira monstro, quando tá pressionado vira sombra.


Um palpite de elenco, sem jurar nada


Se eu tivesse que chutar um grupo de 26 hoje, eu iria bem perto do consenso: Alisson, Ederson, mais um entre Bento e John Victor. Na defesa, Marquinhos, Gabriel, Militão (se der), Danilo, Vanderson, Wesley, Caio Henrique, Alex Sandro, Murillo, talvez Carlos Augusto. No meio, Casemiro, Bruno Guimarães, Paquetá, Andrey Santos, João Gomes ou Fabinho. Na frente, Vinícius, Rodrygo, Raphinha, Endrick, Matheus Cunha, João Pedro, Estevão, e mais um entre Richarlison e Savinho, dependendo do desenho.

E ainda assim vai faltar alguém bom. Sempre falta. A Copa de 2026 vai ser isso, um Brasil com cara de favorito, com talento saindo pelo ladrão, e com uma ou duas escolhas que vão fazer o país inteiro discutir como se fosse questão de estado. Do jeito que a gente gosta, do jeito que a gente sofre.


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