Schinda, ainda jovem, idealizador do Rio Negro de ManausSchinda, ainda jovem, idealizador e um dos fundadores do Rio Negro de Manaus. Foto: pt.wikipedia.org/wiki

O Atlético Rio Negro Clube nasceu do sonho de um grupo de jovens manauaras que gostavam de se reunir para jogar futebol.

Schinda Uchôa, com apenas 16 anos, teve a idéia e insistiu com os companheiros para que criassem um clube. A insistência foi tanta, que no dia 13 de novembro de 1913, às 16h, os rapazes se reuniram na residência de Manoel Affonso do Nascimento, à rua Henrique Martins (atual Lauro Cavalcante), n. 149, e fundaram o Athletico Rio Negro Club, mais tarde rebatizado usando a grafia atual.

A primeira diretoria do clube, segundo a ata de fundação, foi composta por Edgard Garcia Lobão, Presidente - o mais velho do grupo com dezenove anos; Raymundo Vieira, Vice-presidente; Schinda Uchôa, Secretário; Manoel Affonso do Nascimento, Tesoureiro; J. França Marinho, Capitain. Nesta solenidade o pai de Manoel Affonso do Nascimento, Paulo Ferreira do Nascimento, fez a entrega de doze taças de cristal bacará de propriedade da família, para brindar com vinho do Porto a criação do clube.

O brinde deu nome ao “Porto de Honra”, solenidade em que, até hoje, o momento da fundação é repetido como aquele de 1913. Das doze taças de cristal, seis foram recuperadas pelo diretor cultural do clube, Abrahim Baze, que criou um museu para guardar a história do Rio Negro. Três delas são usadas no brinde pelo atual presidente e por mais duas autoridades escolhidas por ele durante o evento.

Na casa onde o clube foi fundado, hoje funciona o Banco da Mulher, mas, de acordo com Baze, o prédio ainda conserva a mesma arquitetura do início do século.

Assinaram a ata de fundação, além dos eleitos para cargo de diretoria, os seguintes sócios: Affonso Nogueira Rebelo, Gilberto C. D’Albuquerque, Outubriano da Silva Neves, Leopoldo Amorim da Silva Neves, João P. Leite de Paiva, Ércio Rabello, Antônio Rabello, Antônio Craveiro, Mário Fernandes, Basílio Falcão, Ascedino Bastos, Merolino Corrêa, Azevedo Souza, Paulo Nascimento, Luiz Pinto, Alkendi Uchôa, Frank Zagori e Joaquim Pinto.

Em 1914, o clube fez sua estréia no campeonato amazonense. Sem experiência ainda suficiente, levou duas grandes goleadas daquele que se tornaria o seu maior rival na história, o Nacional, por 9 a 0 e 12 a 0. Sete anos depois, em 1921, conquistaria o seu primeiro campeonato estadual. A partir daí, conquistou diversos títulos até o fim do amadorismo no Estado, arrastando uma torcida fiel que vibrava com os jogos do Galo. Os jogadores usavam uma camisa preta e branca listrada verticalmente, e depois adotaram um novo uniforme, dessa vez branco com uma faixa horizontal preta. Do manto, viria o apelido do time "Barriga Preta"

Em 1945, após conflitos com a federação de esporte local, o Rio Negro se ausentou do futebol por 14 anos. Um time profissional só viria a entrar no gramado novamente em 1960. Com a profissionalização do futebol no Amazonas quatro anos depois, começava o esforço para reconquistar a popularidade entre os manauaras.

Ao longo das décadas, outras modalidades esportivas além do futebol floresceram dentro do clube, como a natação, o futsal, o basquete, o judô e o handebol. Foi dentro do Rio Negro que o voleibol do Amazonas nasceu. Entre os atletas que inauguraram o esporte no Estado, nomes que figurariam no alto escalão da política amazonense, como o governador Leopoldo Neves e o senador Artur Virgílio Filho, pai do prefeito de Manaus (em 2019), Arthur Neto.

Além do pioneirismo na introdução de esportes olímpicos na cidade, o clube também possuía grande prestígio na cena social manauara. Entre as tradições marcantes do clube, estava a festa de Carnaval, que levava uma multidão atrás de uma banda da sede do clube até a Praça do Polícia. Bailes de debutantes e eventos black-tie completavam a imagem imponente do Rio Negro - que viria a minguar ao longo dos anos em meio a crises financeiras e más gestões.

ANIVERSÁRIO DE 55 ANOS
Festa dos 55 anos do A Rio Negro C de Manaus
No Parque Aquático do Atlético Rio Negro Clube – ARNC, na Praça da Saudade, foi hasteado pelos atletas o pavilhão em comemoração do 55º aniversário de fundação do clube rionegrino. Diversas atividades sociais fizeram parte da comemoração. Fonte: A Crítica de 4 de novembro de 1968.

O clube possui também algumas participações na Copa do Brasil tendo também uma importante conquista internacional, a Taça Guiana Inglesa, disputada na capital Georgetown. O Rio Negro também foi campeão da Taça Amazônica de 1928 disputada entre times do Amazonas e Pará.

Na sede do clube é possível ver a sala de troféus onde estão todos os títulos do clube "barriga preta", além de quadros e medalhas das grandes equipes de futebol e futsal do clube. A torcida do Atlético Rio Negro Clube é a segunda maior torcida do Amazonas com muitos torcedores também no interior do estado.

Sala de Troféus do A Rio Negro C em 2019
Sala de Troféus do A Rio Negro C em 2019

Decadência do clube
Após o título estadual de 2001, o Rio Negro passou por uma grave crise financeira, que deixou o clube sem títulos, resultando num rebaixamento a Série B do Estadual em 2008. Após o rebaixamento, no primeiro semestre, ao disputar a Segunda Divisão, no segundo semestre, ganhou os dois turnos, sagrando-se campeão amazonense da Série B por antecipação, e dando fim ao jejum de 7 anos sem titulos.

2009 - novo rebaixamente para a segunda divisão do estadual.

2013 - Novo rebaixamento, o terceiro no campeonato amazonense.

2015- Quatro rebaixamentos seguidos e pouca novidade. Depois de perder o título da Série B do Amazonense 2014 após liderar o campeonato inteiro, o torcedor do Rio Negro chegou a animar, mas viu o Galo da Praça da Saudade ser rebaixado mais uma vez em 2015. E não dava para dizer que não era uma tragédia anunciada. Com problemas financeiros, o clube foi obrigado a jogar com praticamente todo o seu time de base, e acabou sendo vítima da degola na última rodada do estadual.

Em abril de 2019, o clube foi rebaixado pela quinta vez na história para a Série B do Campeonato Amazonense ao perder o clássico RioNal por sonoros 5 a 0, para um publico de apenas 326 pagantes.

O Atlético Rio Negro Clube apesar de todas suas dificuldades, guarda na memória mais de um século de história no esporte, no social e no cultural. Reconstituir sua história é inevitável, dessa forma, é só mergulharmos na história do clube para entender, a semente plantada por jovens idealistas que concretizaram o início de uma trajetória de alegrias e glórias, que ainda hoje se refletem nos sócios rionegrinos de ontem e de hoje.

TITULOS CONQUISTADOS
Trofeu do Torneio de Georgetown, na GuianaNighbours Friend Cup, o Torneio Internacional de Georgetown, também conhecida como Copa Guiana Inglesa (Guiana): 1963 (Foto)
Torneio Quadrangular Independência do Brasil: 1974
Torneio Amazonas x Pará: 1928
Campeonato Amazonense: 1921, 1926, 1927, 1931, 1932, 1938, 1940, 1943, 1962, 1965, 1975, 1982, 1987, 1988, 1989, 1990 e 2001
Campeonato Amazonense - 2ª Divisão: 2008
Taça Amazonas: 1965, 1976, 1979, 1982, 1987, 1990, 1992, 1998, 2003
Taça Cidade de Manaus: 1973, 1982, 1983, 1984, 1986
Taças de Terceiro Turno: 1975
Torneio de Integração do Estado do Amazonas (Copa Amazonas de Futebol): 1988
Torneio Inicio ACLEA: 1933, 1966, 1968, 1969, 1979, 1980, 1982, 1983, 1990, 1995, 2002
Torneio João Havelange: 1960
Torneio Pentagonal Taça Comando Militar da Amazônia: 1971 (Fonte: Jornal do Comercio, 30/11/1971)

SEDES DO CLUBE
1ª - na Rua Henrique Martins 149, residência da família Nascimento
2ª - O Rio Negro foi levado para a residência do seu Vice-presidente Themistocles Soeiro, na Avenida Joaquim Nabuco, 233. Foi nessa sede que se comemorou a grande vitória "Barriga Preta" em 1917 sobre o Nacional Futebol Clube
3ª - O Dr. Basílio Torreão Franco de Sá transferiu para um prédio maior na Rua Guilherme Moreira 31, canto com a Rua Marques de Santa Cruz, realizando-se ali o segundo baile de aniversário e o Porto de Honra, permanecendo até 1918.
4ª - Na presidência de Francisco de Assis de Souza Guimarães de novo houve mudança de casa. Alugou do Dr. Argemiro R. Germano o seu palacete à Praça da Constituição n. 10. O Palacete Germano era conhecido também por Chalet da Adelaide, casa de mulheres solteiras.
5ª - Francisco de Assis Souza Guimarães alugou o Palacete da Baronesa de Vila Gião, na Rua Marcilio Dias n. 46/48 hoje n. 259, onde posteriormente se localizaria" Casa do Trabalhador". Isso ocorreu em 22 de fevereiro de 1919.
6ª - Em 16 de novembro de 1924, o presidente Mário do Rego Monteiro, alugou o prédio chamado Palacete dos Epaminondas, na Rua Barroso n. 25, a sexta e última sede alugada do Athlético Rio Negro Clube. O Palacete Epaminondas foi locado do co-proprietário Coronel Albertino Dias de Souza, funcionário estadual.

Sede Atual.

Sede do A Rio Negro C de Manaus
Sede do Rio Negro, o Palácio dos Espelhos, localizado na Av. Epaminondas, centro de Manaus (2019)

Em 1938, começou a concretização da ideia do Presidente Flávio Augusto de Menezes Castro. Na oportunidade, o seu companheiro de diretoria João Huascar de Figueiredo, jurista e orador do clube, escreveu um pedido à Prefeitura Municipal, para a obtenção de um terreno onde se edificaria o Palácio Rionegrino.

O então Prefeito, o agrônomo, Antônio Botelho Maia, irmão do sócio Benemérito Álvaro Botelho Maia, Interventor do Estado, encaminhou a documentação para a Procuradoria Jurídica. O Procurador Municipal Dr. José Francisco Monteiro Júnior atendeu ao pedido e encaminhou a solicitação ao Prefeito, sugerindo que atendesse a solicitação do clube. Dessa forma, o Prefeito Antônio Maia, acompanhado do urbanista professor Olímpio de Menezes, propôs ao Dr. Huscar de Figueiredo a doação do terreno onde havia sido o antigo Cemitério São José, diante da Praça da Saudade, pois com o passar dos anos a Prefeitura construiu, no terreno pleiteado, a praça. Nessa permuta, o Atlético Rio Negro Clube, perderia apenas 20 metros se comparado à área solicitada. A solução proposta foi aceita e o Prefeito marcou, no dia 22 de maio de 1938, no seu gabinete, a data para recepção de entregada doação do terreno para construção da sede própria do clube.

Em 1938, na cerimônia pública de lançamento da Pedra fundamental, a Diretoria convidou Dom Basílio Pereira, Bispo Diocesano, que foi acompanhado pelo seu chanceler R. P. Pierre Mottais, para promover a benção. Foi convidado também Ariolino Azevedo que produziu o croqui da sede que, por intermédio de Manoel Antônio Gomes, foi entregue ao arquiteto Aluísio Araújo, no Rio de Janeiro.

Foi escolhido para construir o Palácio Rionegrino a empresa J. Lopes & Cia.,dirigida pelo Sr. Gaspar, conforme indicação feita pelo arquiteto Aluízio Araújo, sobrinho do Comendador J. G. Araújo, que concluiu o curso de Arquitetura na Escola Politécnica de Zurich, na Suíça. Antes da inauguração oficial do Palácio Rionegrino, a diretoria promoveu o primeiro Porto de Honra, em 1941, com um almoço da diretoria e convidados.

Quatro anos depois do início da construção, em 1942, o clube saia do Palacete dos Epaminondas, situado na Rua Barroso, onde hoje é a Casa do Estudante, pertencente à Universidade Federal do Amazonas, e passou a ocupar, definitivamente, sua sede própria, o Palácio dos Espelhos, localizado na Av. Epaminondas.

Obs.: Apesar disso, foi apenas em 18 de agosto de 1949, através do Decreto LeiMunicipal n. 164, que o então Prefeito Raimundo Chaves Ribeiro, ratificou a posse definitiva da área. Em 08 de março de 1959, dez anos depois, foi lavrada a escritura pública no Cartório do primeiro tabelião, Dr. Manuel da Rocha Barros.

Craques do clube

Roberto Berdana - O clube amazonense tem como um dos seus maiores artilheiros o atacante Roberto Almeida Jorge Elias, amazonense, que jogou futebol pelo clube na brilhante década de 60 onde marcou muitos gols. O atacante Roberto tinha um chute forte e preciso, popularmente é conhecido como "Berdana", deu muitas alegrias a torcida do "galo" sendo o primeiro atacante na hitória do futebol mundial a marcar gols chutando a bola de bico no ar (sem deixar a bola cair no chão), feito inédito na história do futebol. Roberto por ter atuado pelo clube durante muitos anos recebeu o título de sócio benemérito no dia 13 de Novembro de 1975.

Clóvis, o Aranha Negra - Natural de Parintins, Clóvis foi um grande goleiro da década de 70, era considerado um dos melhores goleiros nortistas da época, apesar de poucas conquista o goleiro é considerado o melhor de toda a história do clube. Clóvis tinha uma marca que consistia em usar uma toalha vermelha e jogar todo de preto.

HINO
Composição: Albino Ferreira Dantas
I (Refrão)
Em qualquer esporte
O Rio Negro é o mais forte
E traz bem justo o seu quadro
Não temer o rival
No Amazonas não tem igual.
II
Brasileiros, pratiquemos o esporte
Nossa raça é a mais forte
Vamos nós a juventude preparar
Que o Brasil vai se orgulhar.
III (BIS)
No campo jogando
O Rio Negro vai abafando
É grande a combinação
Mas é o couro para
Vitória certa ao terminar. 

Mascote, camisas
Mascote do Rio Negro de Manaus Camisa 2 do Rio Negro (AM)
Pela ordem: mascote do clube ; camisa n° 2 (2020).


Por Sidney Barbosa da Silva.
Fontes: A Crítica de 4 de novembro de 1968; Jornal do Comercio, de 30/11/1971; franciscogomesdasilva.com.br/atletico-rio-negro; fafamazonas.com.br/site/clubes; pt.wikipedia.org/wiki; catadordepapeis.blogspot.com/2018/03;Arquivo www.campeoesdofutebol.com.br.
Página adicionada em 15/Agosto/2020.

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