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O Colorado se originou da fusão de três clubes que estavam em decadência no futebol paranaense: Clube Atlético Ferroviário, fundado em 17/01/1930, Britânia Sport Club, fundado em 19/11/1914, e Palestra Itália Futebol Clube, fundado em 07/01/1921, todos da capital Curitiba. O nome do novo clube vem do apelido do Ferroviário, que era chamado de "Colorado", devido à cor vermelha de sua camisa. Também tinha o apelido de Boca-Negra.

Uma das formações do Colorado Esporte Clube de 1984
Mascote do extinto Colorado Esporte Clube
Em pé: Marolla, Carlão, Orlando, Mauro Pastor, Caxias e Evandro. Agachados: Anzorena, Edson, Geraldão, Eudes e Mauro Madureira.

Disputou por 18 temporadas (1972 a 1989) o campeonato paranaense, conquistando o título em 1980. Participou do Brasileiro da Série A em cinco ocasiões, entre 1978 e 1983 (em 1982 não participou); jogou ainda na Série B em 1985 e a Série C em 1988. Deixou de existir em 19 de dezembro de 1989, quando fundiu-se ao EC Pinheiros para dar origem ao Paraná Clube.

Em sua curta existência, o clube conquistou os seguintes títulos:
• Campeonato Paranaense: 1980 (Título dividido com o Cascavel EC)
• Taça Cidade de Curitiba / Clemente Comandulli: 1974 e 1975

Em sua breve história, se mostrou um time de chegada, sempre fazendo boas campanhas no Campeonato Paranaense. Foi cinco vezes vice-campeão estadual (1974, 1975, 1976, 1979 e 1982), outras quatro vezes terceiro colocado (1972, 1984, 1987 e 1988) e ainda quarto colocado por mais quatro (1971 - quando trocou de nome no campeonato em andamento, 1973, 1977 e 1978). Não à toa alguns apelidaram o Colorado de “o maior quase-campeão do Estado”.

O Colorado fez o artilheiro do campeonato paranaense em 4 edições: Wolnei com 14 gols em 1974; Neo com 12 gols em 1975; Edu, com 14 gols em 1977, e com 08 gols em 1978.

Ary Rocha Marques, lateral direito do Colorado Esporte ClubeAry Marques foi o jogador que mais vestiu a camisa do clube, foram mais de 500 jogos. O lateral direito, paulista de Piraju, nasceu em 01 de abril de 1956, iniciou sua carreira no time profissional no dia 17 de agosto de 1975 e encerrou no último jogo do clube, em 08 de julho de 1989, quando alternava as funções de jogador e técnico.

A última partida do Colorado ocorreu em um sábado de muito frio em Curitiba e o Boca-Negra empatou por 3 x 3 com o Coritiba, diante de 2.184 torcedores, na Vila Capanema.

Luisinho marcou o último gol da história do Colorado (ao fazer o terceiro, com o placar de momento em 3x1 para o time da casa) e Roberto Gaucho (Coritiba) marcou o último gol sofrido (o terceiro que empatou a partida em 3 a 3).

Segundo os historiadores James Skroch (Engenheiro) e Julio Bovi Diogo (Médico), o clube fêz 803 partidas ao longo de sua existência. Foram 338 vitórias, 270 empates e 195 derrotas, com 982 gols marcados e 677 sofridos, catalogadas no livro Almanaque do Colorado.

Um dos grandes feitos do clube foi a goleada aplicada no Flamengo em 15 de março de 1981 por 4 a 0, com três gols de Jorge Nobre e outro de Ditão. O jogo, válido pelo Campeonato Brasileiro, foi realizado no Estádio Couto Pereira para um público de 32 mil torcedores.

Mascote do extinto Colorado Esporte Clube
O mascote era o Boca Negra, herança do Ferroviário (1930-1971)

O clube possuía dois hinos, o oficial e o da torcida. O primeiro abaixo tornou-se oficial em 1979 e foi composto por João Arnaldo de Oliveira.

HINO OFICIAL

Colorado a tua história
É um orgulho ao teu torcedor
Três tradições do passado
Num presente de garra e amor
Tua torcida gigante
Vai do mais humlide até o doutor
Eis a alegria do povo
És o time do trabalhador

Colorado... Colorado...
Três famílias num só potencial
Nas três cores
Da bandeira no ar tremulante
Tua história está resumida
Colorado... sempre avante!

Boca-negra é o grito de guerra
Que a torcida herdou com prazer
Ecoando em todas as jornadas
Ajudando o time a vencer
O vermelho da tua camisa
É igual ao vermelho do coração
Que vibra em cada vitória
E se agita em cada emoção.
HINO DA TORCIDA

Eu sou do Boca,
meu tricolão
Eu sou do Boca,
de coração.

Sou do gramado,
é Colorado!
E dá-lhe Boca,
meu tricolão

Queremos gol
e muita ação.
E Dá-lhe boca,
meu tricolão.

E dá-lhe Boca,
e dá-lhe Boca,
e dá-lhe Boca,
meu tricolão.
E dá-lhe Boca,
e dá-lhe Boca,
e dá-lhe Boca,
meu tricolão.

O Surgimento do Colorado, segundo a Imprensa

A edição da Revista Placar de 16 de julho de 1971, em sua página de número 28, deu a seguinte nota sobre o nascimento do Colorado:

"Nasce o Colorado".
O Ferroviário morreu. Viva o Colorado! Até os torcedores e cartolas do Coritiba e do Atlético gostaram da fusão entre Ferroviário, Britânia e Palestra: o futebol paranaense é que saiu ganhando com ela.

Morreu o Ferroviário, com sua camisa tricolor, morreu o alvi-rubro Britânia, morreu o alvi-verde Palestra Itália. Nasceu o Colorado Esporte Clube, um clube-emprêsa, inspirado no Internacional de Pôrto Alegre, não só na côr da camisa, mas tabém na sua estrutura.

Ficou com o estádio do Ferroviário, seus jogadores, sua torcida; com o estádio do Britânia, que vai virar sede campestre com a campanha de títulos patrimoniais; e com o estádio do Palestra, que vai virar um conjunto residencial.

Todo mundo foi à Federação cumprimentar o presidente Ferrov, digo, Colorado. Dely Macedo. Era unânime: êle merecia os parabéns. (texto de Carlos Maranhão).


A FUSÃO FERROVIÁRIO - BRITÂNIA - PALESTRA

Diário da Tarde, de 19 de março de 1971
Consumada a fusão Ferroviário - Britânia
O propósito de Ferroviário e Britânia de se unirem num só clube fortalecendo ainda mais o futebol paranaense, leva boa ressonância entre os conselheiros na Assembléia Geral realizada quarta-feira (nota CF: 17-03-1971) nas dependências do estádio Durival de Britto. Dos noventa e um conselheiros com direito a voto, noventa foram pela fusão, havendo portanto maioria absoluta. Foi posta em votação a nova denominação do clube que, conforme já era esperado, chamar-se-á COLORADO ESPORTE CLUBE, sugestão apresentada inclusive numa das reuniões entre os dirigentes dos citados clubes.

Comissões Formadas
Aprovada a fusão Ferroviário e Britânia pelo grande conselho do Colorado, os clubes trataram de organizar suas comissões compostas por cinco membros, para tratarem dentro do prazo de noventa dias dos estatutos e da composição da nova diretoria do COLORADO ESPORTE CLUBE.

As comissões estão assim organizadas:
Pelo Ferroviário: Dely Macedo, Nelson Galvão, Jonél Chede, Roberto Costa e Gil Luis Caldas.
Pelo Britânia: Osvaldo Martin, Luis Carlos Marinoni, Levi Lima Lopes, Waldemar Zardo e Renato Volpi.
As comissões estarão em reuniões permanentes tratando de pontos importantes para a fusão.

Coquetel a Crônica
Durante o coquetel oferecido a crônica esportiva na tarde de ontem, no restaurante do Clube do Comércio, foram apresentados detalhes alusivos a fusão por mentores dos dois clubes. Foi dito também, que as comissões tratarão do patrimônio das associações, estudando-se as melhorias a serem introduzidas no estádio Durival Brito, bem como o que será construído no local onde existe o atual estádio Paula Soares na BR-116. Ainda no presente campeonato, o Ferroviário seu nome trocado para Colorado Esporte Clube, continuando com as mesmas côres no seu uniforme que são tradicionais nos dois clubes. Talvez isso seja possivel para a etapa final do certame.

O mesmo periódico, em 24 de abril de 1971, deu a seguinte nota:

Colorado vai surgir no dia 28 de maio
Já definitivamente acertado que a assinatura do têrmo de fusão entre Ferroviário e Britânia vai se dar no dia 28 de maio vindouro, durante um almoço em que estarão presentes cronistas esportivos do Rio, São Paulo e Paraná. Daí por diante só existirá o Colorado Esporte Clube.

Matéria do Diário da Tarde, de 15-05-1971
Clubes com mesmo direito na fusão
O Palestra Itália entrou na fusão com Britânia e Ferroviário sem estar em situação de inferioridade, cumprindo apenas a vontade do seu Conselho Deliberativo, que concordou na união com as duas pujantes fôrças do nosso esporte para a criação de um nôvo clube que receberá a denominação de Colorado Esporte Clube. O esmeraldino terá resguardado os direitos de seus associados, participando, inclusive das reuniões do Conselho a ser organizado futuramente. Seu estádio no Tarumã, também fará parte no ato da fusão, sendo um patrimônio respeitado e acima de tudo inalienável, como o são os estádios Durival Britto e Paula Soares Neto.

Coube ao Sr. Ozéas da Costa Féliz que secretariou os trabalhos da comissão palestrina na última quinta feira, a comunicação da decisão ao presidente Dely Macedo do Ferroviário, através telefonema na tarde de ontem. A respeito, disse Dely Macedo: "Mais um clube de tradição aderiu a idéia da fusão com Britânia e Ferroviário. Serão três grandes potências numa só para a grande do futebol paranaense. Com os estatutos que estão sendo feitos restará apenas a assinatura do documento que marcará o nascimento do Colorado Esporte Clube.

As reuniões entre dirigentes do Ferroviário, Britânia e Palestra acontecerão semanalmente, esperando-se apenas pela marcação da data para a escritura da fusão, que poderá acontecer ainda no corrente mês. Grande festividade marcará o surgimento do Colorado, oportunidade em que serão conhecidos os nomes que nortearão os destinos a nova agremiação paranaense. Pelo lado do Ferroviário, todos os dirigentes estavam eufóricos na tarde de ontem, o mesmo acontecendo por parte dos palestrinos em especial aqueles que formaram a comissão esmeraldina.

Na reunião de quinta feira apenas um ex-presidente se absteve de vottar em favor da fusão segundo informações dadas a reportagem, mas seu nome não foi declinado.

Diario da Tarde, 1 de julho de 1971
Colorado vai surgir já oficialmente esta manhã
A fusão já está decidida, de há muito tempo, em quase todos os seus aspectos, mas, somente hoje é que ela será sacramentada, quando Ferroviário, Britânia e Palestra unem seus destinos para formar o novel Colorado Esporte Clube que já se prenuncia como uma grande força do desporto araucariano, em breve tempo.

A cerimônia da assinatura do compromissso será ás 10h 30m de hoje, na sede da Federação Paranaense de Futebol. Anteriormente, a mesma estava programada para o Palácio Iguaçu e sendo prestigiada pelo Governador Haroldo Leon Péres que, todavia, face seus compromissos, não pode atender ao convite formulado pelos dirigentes da nova agremiação.

Conselho será convocado
Pelos Estatutos do Colorado Esporte Clube, o presidente do clube, no caso, Dely Macedo, poderá convocar o Conselho Deliberativo para qualquer ocasião. Esse conselho será integrado pelos conselhos atuais das três agremiações.

Todavia a reunião do Conselho Deliberativo - podemos adiantar - não será esta noite, conforme muita gente antecipou, mas, em outra éepoca, ainda por determinar.

Prestigiamento ao ato
Ao ato deverão comparecer presidentes e representantes de todos os clubes filiados à Federação Paranaense de Futebol, bem como o presidente da mesma, Sr. José Milani, tendo em vista a grande importância que tem para o desporto paranaense o surgimento do Colorado Esporte Clube.

Trabalho integrado
Como já dissemos, o presidente é o Sr. Dely Macedo e os vice-presidentes, que terão funções especificas, que serão delineadas logo, são Luiz Carlos Marinoni, Orlando Brasil Soldatti, Nelson Galvão, Dorival Viana, Paulo Trombini, Mauro Nóbrega Eni Egas Brown, Waldemar Zardo, Oswaldo Martin e Levy Lima Lopes.

Como se observa, gente com espírito arejado, que enxerga longe e quer realmente o progresso do nosso esporte. Em breve o próprio desporto araucariano vai lucrar com o surgimento da nova agremiação, fruto da união de três clubes de Curitiba.

Diario da Tarde, 02-07-1971
Colorado, fôrça jovem que nasce forte
Na manhã de ontem foi formalizado o nascimento oficial do Colorado Esporte Clube cuja data de fundação oficial é a de 29 de junho de 1971. Elevado número de figuras de expressão não só dos meios esportivos se fêz presente ao evento, como também elementos dos meios sociais e politicos do Estado, num testemunho claro e evidente de que o nôvo clube nasce sob a satisfação geral pelo muito que êle irá representar para o engrandecimento do nosso desporto.

O ato foi realizado às 10h30m na sede da Federação Paranense de Futebol e solidariedade total foi hipotecada aos futuros dirigentes do Colorado por parte dos representantes das diversas camadas e setores da vida paranaense.

Propósitos do nôvo clube
A partir de hoje os responsáveis pela concretização da fusão, agora já de âmbito irreversível estarão se reunindo para os detalhes complementares e na próxima semana, possivelmente, todos os associados do Ferroviário, Britânia e Palestra, hoje apenas lembranças do passado. Na oportunidade, será eleito o nôvo Conselho Deliberativo, de acôrdo com os Estatutos, já aprovados.

Antes, todavia, haverá uma reunião dos membros dos conselhos dos três antigos clubes, pelo menos os que têm visão mai ampla de um futuro melhor para o nosso desporto, para outras providências.

Trabalho no Patrimônio
Dely Macedo responde, por óra, pela presidência dos Conselhos Deliberativo e Diretor e foi êle quem nos disse que o Durival de Britto será melhorado em suas instalações. Por outro lado, no Guabirotuba será construído o Parque Social-Esportivo apenas para as atividades amadoras e o patrimônio do Tarumã será inteiramente recuperado.

Todo êsse trabalho será iniciado dentro em breve para que esteja completado dentro do mais breve tempo possível. Dentro do Colorado o que está existindo é trabalho e tranquilidade.

Milani acredita
O presidente José Milani, da Federação Paranaense de Futebol, foi uma das testemunhas do ato solene de ontem cedo na sede de sua entidade e falou à reportagem:
"O Colorado já nasce sob o signo do trabalho e de um futuro promissor, porqque congrega três grandes clubes cujas aspirações de seus homens estarão concentradas em torno só dêle e, consequentemente, nessa união de esforços, é indiscutível que não só a nova agremiação terá a ganhar, mas, o próprio despôrto paranaense encontra uma nova fôrça-viva que ampliará ainda mais o seu brilhante futuro".

O Fim do Colorado

Revista Placar, de 26 de janeiro de 1990

Na noite chuvosa de 19 de dezembro, dois dias depois de o país eleger pelas urnas seu novo presidente, um plebiscito arrebanhou 1.474 votos de associados do Esporte Clube Pinheiros e do Colorado Esporte Clube e decretou a fusão de ambos para o nascimento do Paraná Clube. Foi a união da estrutura bem administrada com a paixão de uma grande torcida. As negociações se arrastavam, quase na surdina, desde 1988 por um simples motivo: o risco da extinção dos dois times de futebol. As decepcionantes campanhas no último estadual só aceleraram o processo.

O Pinheiros, com seus 25.000 sócios em dia, tinha uma administração perfeita, mas não conseguia atrair torcida. Já o Colorado sempre teve torcida, mas a sequência de administrações desastrosa sucatearam seu patrimônio, a ponto de faltarem colchões na concentração de Estádio Durival Britto.

O casamento das necessidades foi uma vitória do bom senso.


Pesquisas realizadas por Sidney Barbosa da Silva
Fonte: Arquivo www.campeoesdofutebol.com.br; e as citadas no texto.
Página adicionada em 23/Agosto/2021.