A história da Libertadores 1963

O crescimento da internet e o investimento das grandes casas de apostas esportivas está dando frutos, e um grande evento como é a Copa do Mundo de futebol é a melhor ocasião para a indústria avaliar suas forças. Em um artigo do site especializado The Conversation, citando a BBC como fonte, o mercado mundial de apostas esportivas é calculado em 625 bilhões de libras (cerca de R$3,352 milhões), isso em números de 2013, que já poderão estar desatualizados. Quanto ao lucro com a Copa do Mundo, e novamente a nível mundial, serão de cerca de 41 bilhões de libras (R$220 bilhões)

Crescimento das apostas esportivas

Um grande apoio para a própria indústria do futebol

Se as apostas esportivas vivem em grande parte do futebol (cerca de 70% da receita das empresas vem deste esporte, provando novamente como é cada vez maior sua influência em relação aos demais esportes, que em seu conjunto “valem” só 30%), o contrário começa sendo verdade também. A BBC relatou recentemente que cerca de 60% dos times de futebol das duas principais ligas de Inglaterra (a Premier League e, abaixo dela, o Championship) terão patrocínio de empresas de jogos durante a época 2018-19 que está agora começando.

Os principais responsáveis do futebol, bem como alguns responsáveis políticos e a própria mídia, começam se questionando se alguns limites não estarão sendo ultrapassados. Em resposta a isso, as principais casas de apostas estão começando a desenvolver campanhas de responsabilidade, especialmente direcionadas para as crianças e os jovens. Não é do interesse de ninguém que os jovens de agora virem adultos sem preparação, no futuro.

A importância da legalidade

Aqui é muito importante destacar a importância de todos esses negócios funcionarem dentro da lei dos respetivos países. De um lado, para os usuários de cassinos online e casas de apostas esportivas, é importante sentir que as empresas com quem estão lidando cumprem um conjunto de regras que protegem eles mesmos. As grandes marcas internacionais fazem isso mesmo; estão baseadas em países com legislação avançada e sabem que podem sofrer consequências se atuarem à margem da lei. São “players” econômicos que querem crescer e se fortalecer na economia real, e não grupos de “máfias”. É este tipo de proteção e credibilidade que falta, por exemplo, aos usuários brasileiros de cassinos físicos ilegais. Essas “empresas”, pelo fato de existirem, já atuam fora da lei, e daí não é surpresa ouvir histórias de empréstimos feitos pela casa aos jogadores para continuarem jogando mesmo sem dinheiro, por exemplo.

O mesmo é válido para o próprio futebol. O fato de o futebol ser profissional e coberto pela lei ajuda a perseguir e controlar situações de viciação de resultados. Em Portugal, nas últimas duas épocas, aconteceram alguns casos relacionados. Em um deles, as apostas em um determinado jogo foram suspensas depois de entrar um grande e inesperado valor, vindo de um apostador chinês; em outro, vários jogadores foram presos pelas autoridades sob acusação de perderem propositadamente (a forma como sofreram gols no jogo que serviu de acusação policial virou piada na internet, depois disso).

E o debate nacional?

No Brasil, os jogos de azar são proibidos, mas todo o mundo sabe que é fácil acessar alternativas online. Cassinos online como o Betsson são facilmente acessíveis através de um PC, notebook ou mesmo através de um simples celular. O mesmo acontece com as apostas esportivas, sendo fácil fazer uma busca e encontrar as principais marcas de apostas internacionais.

A situação atual é dificilmente sustentável. De um lado, o peso da tradição, penalizando social e politicamente tudo o que esteja relacionado com jogos de azar. Do outro, a prática do brasileiro, que convive bem com esse tipo de divertimento. E já não se trata apenas do jogo do bicho; o Paraná Pesquisas realizou uma enquete com resultados surpreendentes (ou nem tanto): 45% dos brasileiros já são favoráveis à liberação dos jogos de azar, com outros 45% se mantendo contra (e tendo 10% sem opinião). Ainda para mais sendo tão simples jogar na internet.

Não será por acaso que o setor do turismo já vem reclamando a liberação dos jogos de cassino, com vários setores políticos exigindo regulação desse tema e também das apostas esportivas. Veja-se que até os políticos mais conservadores se mostram favoráveis. Ao prefeito carioca, Marcello Crivella, nem os princípios da Universal impedem de manter conversas com Sheldon Adelson, barão dos cassinos de Las Vegas, que quer investir no Rio. E o candidato presidencial Jair Bolsonaro, sempre tão firme em relação a tudo, sobre os cassinos falou que “é contra, mas vamos ver qual é a melhor saída”.

Não será que está na hora de criar uma indústria nacional, pelo menos nas apostas esportivas, que possa recolher os frutos do gosto dos brasileiros pelo jogo? Que possa reinvestir no futebol e entregar receita à Fazenda, e ao mesmo tempo fazer concorrência às grandes casas de apostas internacionais que atuam no Brasil sem oposição? Será um tema a pensar seriamente no futuro.