ENTREVISTA COM ALEXANDRE BERWANGER



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Quinta-feira, 12 de agosto de 2010, por Sidney Barbosa da Silva

Alexandre BerwangerAlexandre Magno Barreto Berwanger, 47 anos, espírita, bancário, licencado em Adminstração de Empresas, fluminense de Niterói, filho de um comerciante gaúcho de origem alemã com uma professora niteroiense de origem luso-brasileira, casado, com um filho.

É um dos mais renomados historiadores do futebol. Fanático torcedor do Fluminense, nos dá a oportunidade de publicar suas pesquisas, levando ao leitor do site a credibilidade, que é reconhecida por todos os amantes da "Sociedade" chamada futebol.

Email para contato: [email protected].

Já faz tempo que gostaria de conhecer mais sobre o Alexandre, este "Grande Conhecedor" da nossa maior paixão. Tomei coragem e lhe pedi para contar sobre o que o levou a "gastar" horas e horas pesquisando sobre o futebol. De pronto fui atendido à seguinte pergunta:

"Como e porque se tornou pesquisador de futebol?"

A resposta vem a seguir:

"Quando a revista Placar surgiu, em 1970, eu tinha 7 anos, e recebendo uma poupuda mesada de meu avô materno passei a comprar mais essa revista, se não a número um e talvez não exatamente em 1970 (não lembro exatamente, mas em 1971 já lia essa revista pois me lembro de algumas reportagens, mas será que não fui atraído pela manchete da final da Taça de Prata, Fluminense campeão brasileiro de 1970?), logo em seus primeiros momentos, embora o interesse pelo jogo em si só tenha vindo em 1973, ao asssitir um compacto do programa Esporte Espetacular sobre a Copa da Inglaterra de 1966, me encantando com o futebol de Franz Beckenbauer, meu primeiro ídolo no futebol, antecessor de Roberto Rivellino e tantos outros que vieram depois.

Considero a revista Placar a minha primeira escola de história do futebol, pois foi através dela que comecei a admirar várias dezenas de outros clubes, o que é muito salutar e me estimulou a fazer pesquisas sobre outros clubes que não o meu amado Fluminense, pois sendo a Placar a minha primeira fonte de informações, me despertou a curiosidade para tudo aquilo que eventualmente essa grande revista de futebol do Brasil não teria publicado, me estimulando a pesquisar em outras fontes.

Tendo acumulado muito material durante a minha atual existência carnal, nunca havia pensado em publicar nada em lugar nenhum, mas aparentemente a partir da década de 1990, comecei a me sentir incomodado com a falta de informação de uma nova geração de jornalistas mais jovens, fazendo em seus artigos, comentários totalmente inapropiados a respeito dos temas que tento tornar públicos.

Segundo alguns jornalistas daquela época, 40.000 pessoas, público de partidas de meio de campeonatos de antigamente entre Fluminense e América, Corinthians e Portuguesa ou Atlético-MG e América-MG, eram assombrosos!

Alexandre BerwangerAo escreverem sobre a História do Fluminense, pareciam não saber que o foi o clube que estimulou a criação de diversos clubes e organizou o futebol e vários outros esportes no Rio de Janeiro, e no caso de vários esportes, no Brasil, que construiu o primeiro estádio de cimento da América do Sul, que foi a primeira casa da Seleção Brasileira, que no Centenário da Independência do Brasil bancou sózinho o Campeoanto Sul-Americano de 1922 e os Jogos Olímpicos Latino-Americanos deste mesmo ano, a primeira competição precurssora dos atuais Jogos Olímpicos Pan-Americanos, sendo estes os maiores eventos comemorativos do primeiro centenário da Independência do Brasil.

Não pareciam saber que em 1928 o Fluminense conquistou a sua primeira taça internacional, a Taça Vulcain, contra o Sporting de Lisboa, na primeira vez que este clube português usou as suas tradicionais camisas com listas horizontais em verde e branco, prestando uma grande demonstração de patriotismo, força e organização esportiva ao grande representante do antigo colonizador, na partida que deve deter o recorde de público do Estádio de Laranjeiras, pois além do estádio estar completamente lotado, foram colocadas mais 2.000 cadeiras ao longo da pista de atletismo para acomodar o grande público, estimado em 45.000 pessoas pela imprensa sensacionalista da época, mas que deve ter sido alguma coisa além de 30.000 espectadores, ou que em 1933 foi o grande estimulador do profissionalismo do futebol brasileiro.

Não pareciam saber que em 1949 o Fluminense foi agraciado com a Taça Olímpica pelos inestimáveis serviços prestados aos esportes olímpicos, ou que em 1952 conquistara um dos torneios precurssores do atual campeonato mundial de clubes, fazendo comparações irreais do clube com outros tantos que cresceram a partir da década de 1960, em plena na lastimável década de 1990, quando o clube passou por vários problemas internos e foi perseguido fora de campo desde 1986 pela nova diretoria da Federação Carioca e seus aliados, que se especializaram em escândalos fora do campo e esvaziaram os estádios cariocas, como se o Flu fosse durante toda a sua gigantesca história os estranhos momentos dessa década de 1990 e não apenas estivesse passando, pela primeira vez desde 1902, uma grave, mas passageira crise, para um clube com alguns milhões de apaixonadíssimos torcedores, se não bastasse isso, com escolaridade e renda muito acima da média nacional.

O que o levou a tornar públicas as sua pesquisas?

Talvez o fato, a cada dia que passa menos necessário graças ao esforço de muitos pesquisadores, de trazer para as gerações mais novas a história do futebol brasileiro, para que em suas relexões possam tentar entender o motivo para que 40.000 pessoas possa ser considerado atualmente um grande público no futebol brasileiro, quando os públicos de grandes clássicos no Brasil passavam frequentemente de 100.000 no passado, e para que não possam ser manipulados pelos interesses menores que acontecem fora de campo para beneficiarem um número cada vez menor de clubes, pois é mais fácil controlar poucos concentrando renda e mídia neles, para que alguns grupos possam dominar o mercado sem concorrência, do que ter vários campeoantos e clubes fortes no Brasil, que é o que a galera gosta."


 

 

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